Paula Litaiff
Deslizamento vitimou fatalmente a casa de Josiane, que teve a casa condenada (Foto: Malu Dacio/Cenarium)
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Mulher que morreu após bueiro estourar era mãe de adolescente com autismo

Deslizamento vitimou fatalmente a casa de Josiane, que teve a casa condenada (Foto: Malu Dacio/Cenarium)

Malu Dacio – Da Revista Cenarium

MANAUS — Josiane da Silva Rodrigues, 37, era casada e mãe de dois adolescentes: uma moça de 17 anos e um rapaz de 16 anos. Ela morreu soterrada após um barranco atrás de sua residência desabar em uma cachoeira de lama, durante a forte chuva que atingiu Manaus na manhã desta segunda-feira, 17. Vizinhos da família relataram à REVISTA CENARIUM que o filho mais novo tem Transtorno do Espectro Autista.

A chuva condenou quatro casas da Rua Osmarilza Martins, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus, dentre elas, a da família de Josiane. A mulher foi mais uma vítima da ausência de planos de habitação junto aos resultados da inexistência de políticas de saneamento básico no País.

Josiane havia se mudado para o local há poucos meses e era bastante reservada, sendo pouco conhecida pelos vizinhos. Estes informaram que ela comprou a casa de madeira há seis meses, mas que recentemente tinha conseguido reformar.

As tubulações e sacos de areia utilizados para conter chuvas compõem o cenário da destruição. (Foto: Maria Luiza Dacio/Cenarium)

Tragédia anunciada
No local do acidente, por volta dos anos 2000-2001, existia um igarapé. “Quando eles vieram para fazer a tubulação, um dos engenheiros da Semulsp disse que era para aterrar o igarapé e eles fizeram. Mas essas tubulações não estavam corretas. Deixaram o igarapé de um lado e a tubulação de outro”, conta a dona de casa Ana Lúcia, que perdeu tudo com a chuva.

Ela relata que outros engenheiros visitaram o local na época e disseram que poderiam vir a causar prejuízos no futuro. E aconteceu. Não é a primeira vez que uma chuva causa estragos na área. Um morador que preferiu não se identificar contou que, em 2008, fortes chuvas atingiram o local e que os atingidos foram contemplados com casas do projeto João Paulo.

Moradores lavam roupas cheias de lama e tentam recuperar as peças. (Foto: Maria Luiza Dacio/Cenarium)

Famílias cobram apoio
Morador da casa ao lado de Ana Lúcia, o motorista Eliezer Ailva perdeu a casa e todos os móveis. Indignado, ele disse que a prefeitura o procurou, mas que o apoio só chegaria em 15 dias.

“Hoje, eu, minha mulher e minha filha vamos dormir de favor porque nem nisso nos apoiaram. Não restou nada, perdemos tudo. Tiramos algumas roupas. Aquelas que a lama não acabou. A prefeitura disse que ia nos ajudar em 15 dias, mas e hoje?”, questionou.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)