#Factuais

REVISTA CENARIUM reúne dicas de livros escritos por amazonenses

O "Dia Nacional do Escritor" é comemorado em 25 de julho (Reprodução/Internet)

Ívina Garcia – Da Revista Cenarium

MANAUS – A leitura é um dos alicerces da vida do ser humano, ajuda a melhorar a comunicação, expandir o pensamento crítico, relaxar, entre outras coisas. Ler é um ato político, mas pode ser também um entretenimento. Seja qual for a finalidade, a leitura é essencial na vida do ser humano.

Nesta segunda-feira, 25, é comemorado o Dia Nacional do Escritor. A data teve origem em 1960 com a realização do Primeiro Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União Brasileira dos Escritores, sob a presidência de João Peregrino Júnior e Jorge Amado. Por isso, a REVISTA CENARIUM separou algumas dicas de leitura de escritores amazonenses com obras para todos os públicos e gostos.

Dois Irmãos (2000) – Milton Hatoum

Na obra, Milton narra a construção de relações de identidade e diferenças dentro de uma família em crise. O enredo da história é focado em dois irmãos gêmeos, chamados Yaqub e Omar, e como eles se relacionam com a família: mãe, pai e irmã. O livro chegou, inclusive, a ser adaptado para televisão, teatro e quadrinhos. A última vez, pela Rede Globo, no ano de 2015, que teve gravações realizadas nos municípios de Itacoatiara, Iranduba, Manacapuru e Manaus. Milton Hatoum é um dos maiores nomes literários amazonenses, com grandes obras de peso para além de Dois Irmãos, como: Órfãos do Eldorado; Cinzas do Norte; Um Solitário à Espreita, dentre outras.

Milton Hatoum, escritor amazonense (Reprodução)

Mad Maria (1980) – Marcio Souza

O romance escrito em 1980 pelo romancista Marcio Souza, narra de forma satírica e com humor crítico a construção real da ferrovia Madeira-Mamoré, localizada em Rondônia. A obra literária tecia críticas ao fato do empreendimento luxuoso começar no nada e acabar em lugar nenhum. O livro também chegou a inspirar adaptações para a televisão, como a minissérie também produzida pela Rede Globo, gravada nas cidades de Porto Velho e Guajará-Mirim, no Estado de Rondônia, na Região Norte, e as cenas finais rodadas na cidade de Passa Quatro, em Minas Gerais.

Mad Maria (1980) – Marcio Souza (Reprodução)

Suíte Para os Habitantes da Noite (1995) – Anibal Beça

Para os amantes de poesia, a obra Suíte Para os Habitantes da Noite, do jornalista e escritor amazonense Anibal Beça, reúne uma série de poesias escritas pelo ator. A obra faz parte de uma coletânea e é o sexto livro lançado dentro da primeira trilogia iniciada em 1987 pelo autor, precedida pelos livros Noite Destemida e A Palavra Noturna.

Anibal Beça, escritor amazonense (Reprodução)

O Último Herói da Amazônia (2022) – Mário Adolfo

A obra traz a trajetória do personagem infantil Curumim, com momentos importantes como o lançamento da cartilha educativa sobre a História do Amazonas, na Suécia, em 1988, e a participação na primeira edição da Bienal do Livro do Amazonas, em 2012. Em 2016, o personagem Curumim foi declarado Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Amazonas pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas( Aleam). Mário Adolfo é um dos mais premiados jornalistas de Manaus, com oito livros publicados.

Jornalista e escritor amazonense Mário Adolfo (Reprodução)

Trouxe alguma coisa para mim? (e-book – 2022) – Augusta Rodrigues

A obra digital traz uma série de crônicas e contos que levantam o debate sobre acolhimento e resgate da “criança interior” de cada um de nós. O primeiro conto, por exemplo, é sobre um menino que passa uma tarde brincando sozinho, em casa e, por meio da sua imaginação, se aventura como aviador, marujo e selvagem, graças aos seus brinquedos feitos de papéis. O e-book está disponível, gratuitamente, por meio do link: https://linktr.ee/MariaAugustaRodrigues.

Augusta Rodrigues, autora do e-book “Trouxe alguma coisa para mim?” (Reprodução)

Literatura amazonense

Grande parte dos escritores, dramaturgos e romancistas amazonenses nasceram do jornalismo e a paixão pela comunicação resultou no amor pela escrita. Esse é o caso, por exemplo, da jovem escritora amazonense Rebeca Beatriz, 29. Jornalista e socióloga por formação, Rebeca lançou sua primeira obra no ano de 2019, intitulada “Devaneio: Amores Vividos: Histórias Inventadas”. O livro traz histórias sobre amor e relacionamentos, além de abordar temas como os impactos das redes sociais nas relações humanas.

“Minha relação com a escrita começou cedo. Eu gostava muito de ler, mas, às vezes, chegava na última página do livro e o final me decepcionava. Eu queria finais diferentes, e foi aí que comecei a escrever minhas histórias e ter meus próprios finais. Eu poderia dar o rumo que eu quisesse”, contou Rebeca à CENARIUM. Ela revelou que começou a escrever ainda aos 14 anos, mas que só passou a publicar aos 22.

A jovem explica que conseguiu, na escrita, um alicerce para melhorar sua confiança. “De certa forma, as palavras que eu não conseguia dizer, em voz alta, eu escrevia. E o mais legal é que muita gente se identifica. Eu me senti abraçada”, diz.

Rebeca Beatriz, autora de Devaneio (Reprodução)

Para Rebeca, o maior desafio de quem escreve, atualmente, é conseguir tocar as pessoas sem perder a essência. “A escrita tradicional, como conhecemos décadas atrás, tem perdido um pouco a sua essência. O que vemos nas redes sociais é uma enxurrada de abreviações e textos cada vez mais curtos. As pessoas querem a informação de forma instantânea, não há tempo a perder”, por isso, ela diz que é preciso saber usar as novidades do mundo tecnológico e das redes sociais a seu favor, “de forma a ter mais elementos que agreguem, não usar essas características como elemento negativo, mas como algo favorável”, completa.

“Os escritores têm um papel essencial na sociedade: eternizar as palavras e os sentimentos, dar coragem e força a quem lê e precisa de um abraço, seja no meio digital ou na literatura impressa”, diz. “Essa data deve ser lembrada como um símbolo de resistência. Mesmo com todos os desafios, a escrita permanece viva”, declara a escritora.

O professor, poeta, ensaísta, dramaturgo, crítico literário brasileiro e membro da Academia Amazonense de Letras, Tenório Telles, disse à CENARIUM que o papel mais importante para o escritor é melhorar a compreensão da condição humana e do processo histórico para o leitor. Ele afirma que a data é um momento de celebração, mas que também serve para lembrar dos grandes nomes da literatura local.

Natural de Anori (a 200 quilômetros de Manaus), Tenório Nunes Telles é professor de Literatura Brasileira e possui formação em Letras. Telles também é formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e um dos escritores mais prestigiados do Estado.

Tenório Telles (Reprodução)

“Celebrar esse dia tem esse significado de reconhecimento pelo que os grandes poetas, romancistas e intelectuais legaram de belo e revelador sobre a vida”, diz o poeta. “Os escritores seguem cumprindo um papel significativo no nosso tempo. Em todas as épocas, os artistas da palavra, sobretudo, os que têm consciência da sua função, ajudaram a encantar a vida de beleza e sentido”, afirma o escritor.

“Esse dia é um momento de lembrar Bacellar, Thiago de Mello, Violeta Branca, Djalma Batista, Tufic, Álvaro Maia, Drummond, Bandeira, Pessoa e tantos outros”, finaliza.



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*

*

*

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

O SITE

O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)