#Factuais

No Dia Nacional da Onça-Pintada, App é lançado para monitorar maior símbolo da Amazônia

Onça-Pintada na Amazônia. (Divulgação)

Karol Rocha – Da Revista Cenarium

MANAUS – Nesta segunda-feira, 29, é celebrado o Dia Nacional da Onça-Pintada, maior felino das Américas e um maiores dos símbolos da Amazônia. O animal predador, carnívoro, de porte robusto, conhecido pela agilidade e pela força está no topo da cadeia alimentar e, para a própria sobrevivência, precisa de grandes áreas florestais preservadas e da ajuda de especialistas como no caso da criação de um aplicativo para monitorar e evitar o desaparecimento dessas populações.

Além de ressaltar a importância da rainha das florestas para o ecossistema, a data reafirma a necessidade de proteção da espécie não só pelas organizações, especialistas e pesquisadores em biologia, mas da sociedade como um todo.

“Neste dia podemos, além de lembrar da espécie, divulgar informações precisas da condição dela em cada bioma de nosso País, a título de exemplo, a onça-pintada está extinta dos Pampas do Rio Grande do Sul e está muitíssimo pressionada na Caatinga”, afirmou o doutor em Ecologia Conservação e Manejo de Vida Silvestre e professor no Departamento de Ciências Florestais da Faculdade de Ciências Agrárias, Rogério Fonseca.

Ele também coordena o Laboratório de Interações Fauna e Floresta da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). No Brasil, a onça-pintada é encontrada na floresta amazônica e na Mata Atlântica e em ambientes abertos como o Pantanal e o Cerrado. De acordo com Rogério Fonseca, o tráfico ilegal da onça-pintada existe e é organizado, se utilizam de rotas aéreas e marítimas e é a China, o principal destino. “Pois utilizam partes destes animais como ornamentos e mesmo como item da medicina tradicional chinesa”.

As onças-pintadas chamam a atenção pela beleza, astúcia e são a garantia do equilíbrio ecológico na cadeia alimentar. “Hoje a maior parte dos leigos já sabe que onde tem onça, existe uma qualidade ambiental diferenciada. A grosso modo dizemos que a onça é uma espécie bioindicadora e, quando monitoramos, é com o intuito de conservarmos a espécie. Ela também se torna uma espécie guarda-chuvas, pois protege todas as demais a sua volta”, destacou ainda o especialista.

Pele da onça-pintada é cobiçada no exterior. (Divulgação)

Aplicativo para monitorar desaparecimento

Esta semana, o Observatório de Imprensa Avistamentos e Ataques de Onça da Ufam reeditou e incluiu novas funções no aplicativo criado por um grupo de pesquisadores para ajudar a evitar o desaparecimento das onças no Brasil. O embrião do aplicativo para smathphone é de 2015, mas foi em 2016 que ele saiu da programação para entrar nas lojas virtuais. Hoje, ele conta com atualizações e é possível registrar ocorrências de avistamentos ou ataques de carnívoros silvestres e sinalizar autoridades competentes de casos de conflito.

“Nele é possibilitado ao indivíduo fazer registros de ocorrências com felinos e mesmo outros animais. Por exemplo, uma pegada que pode ser de onça, o usuário registra, faz o envio para nossos especialistas que constatam se é ou não uma pegada de onça. Se for, este registro é armazenado e distribuído ao MMA/ICMBIO/CENAP que são os órgãos de comando e controle de gestão ambiental federal que detém as informações sobre onças”, disse ele, que comenta que o OIAA ONÇA/UFAM recebe registros de todo o Brasil e de outros países do continente americano. O aplicativo ‘OIAA ONÇA’ é compatível com smarthphone android e está disponível para download no Google Play.

Onça-pintada em registro no habitat natural. (Divulgação)

Seminário discute extinção de onça-pintada

Entre a programação do Dia Nacional da Onça-pintada está o webinar ‘Desvendado a onça-pintada: o risco de extinção e a remuneração por serviços ambientais. Onde o biólogo se encaixa nisso?’. A palestra será feita pelo biólogo Rogério Fonseca, com mediação do biólogo Marcelo Garcia e será transmitido pela página do YouTube do Conselho Federal de Biologia. O webinar será nesta segunda-feira, 29, às 19h (horário de Manaus).



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*

*

*

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

O SITE

O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)