Paula Litaiff

Estudo de crimes investigados pela Polícia Federal aponta que desmatamento na Amazônia é impulsionado por economias ilícitas

Pesquisa do Instituto Igarapé analisa dados de 369 operações da PF realizadas entre 2016 e 2021 (Reprodução)

Malu Dacio – Da Revista Cenarium

MANAUS – Recente estudo do Instituto Igarapé revelou que o desmatamento da Amazônia, em grande medida ilegal, é impulsionado por diferentes economias ilícitas ou contaminadas com ilicitude. O resultado veio por meio de uma pesquisa que analisou dados de 369 operações da Polícia Federal (PF) realizadas entre 2016 e 2021. O estudo completo você encontra no final desta publicação.

O Artigo Estratégico ‘O ecossistema do crime ambiental na Amazônia: uma análise das economias ilícitas da floresta‘ mostra que esta economia é proveniente de atividades como extração ilegal de madeira, mineração ilegal (sobretudo de ouro), grilagem de terras e atividades agropecuárias com passivo ambiental.

A pesquisa é assinada por Laura Trajber Waisbich, Melina Risso, Terine Husek e Lycia Brasil. O artigo defende que por detrás do desmatamento e da degradação da maior floresta tropical do planeta há uma série de irregularidades.

O texto diz ainda que integradas a mercados formais e legais, as economias ilícitas da Amazônia operam por meio de um ecossistema de crimes ambientais e não ambientais (tais como corrupção, fraude, crimes violentos e crimes de tráfico).

Sobre as fontes, a pesquisa analisou ações deflagradas, independentemente, pela Polícia Federal, no exercício de suas atribuições de polícia judiciária, ou em conjunto com mais de 50 outras instituições (sobretudo, órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), órgãos do sistema de Justiça e outras forças de segurança).

Dessas operações, 109 foram realizadas apenas pela Polícia Federal e 260 em parceria com mais de 50 outros órgãos públicos, sobretudo, instituições do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), do sistema de Justiça, agências reguladoras ou, ainda, em conjunto com forças de segurança federais e estaduais.

Compõe um banco de dados de 369 operações de combate à criminalidade ambiental, organizada na Amazônia Legal, com participação da Polícia Federal (Reprodução)

Junção de crimes
Os Estados do Pará e Rondônia foram os que mais receberam ações, e os crimes mais recorrentes foram a mineração ilegal do ouro e a extração de madeira. Outro dado alarmante é que 60% das operações registraram mais de um método de economia ilícita flagrado ao mesmo tempo.

“O entrelaçamento é, particularmente, frequente no caso do desmatamento ilegal, grilagem e agropecuária contaminada por ilicitudes ambientais, corroborando a tese de que a invasão e a apropriação de terras públicas, na Amazônia, por particulares, constitui crime que precede os demais”, diz parte do trecho.

Organização na criminalidade
Ainda segundo o estudo, essas operações da Polícia Federal mostram uma estrutura organizada da criminalidade ambiental, na Amazônia, e o uso de meios fraudulentos. Revelam também a presença de atos de corrupção e lavagem de dinheiro (presentes em cerca de 20% das operações).

“A atuação da Polícia Federal, no período, aponta, ademais, para o crescimento da violência ligada ao crime ambiental na Amazônia. Investigações relacionadas a crimes violentos contra a pessoa, trabalho escravo, crimes de tráfico ou, então, posse de armas, munições e explosivos estiveram presentes em 29% do total de operações no período, e sua frequência apresentou uma curva ascendente”, destaca trecho.

O estudo finaliza afirmando que o combate aos crimes ambientais, na Amazônia, demanda inteligência e priorização estratégica das instituições e órgãos ligados à fiscalização administrativa e à persecução penal. “Há tarefas para o setor público, como Estados e governo federal, e também para o setor privado”, conclui.

Confira estudo na íntegra:

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)