Paula Litaiff

Em Manaus, Hamilton Mourão fala sobre investimento em segurança na Amazônia: ‘O País vive outras carências’

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – O vice-presidente da República Hamilton Mourão esteve presente na abertura da ExpoAmazônia 2022 realizada nesta quinta-feira, 30, no Centro de Convenções Vasco Vasques, Zona Centro-Sul de Manaus. Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, cujo o colegiado não possui representantes na região, após discurso atendeu a imprensa, porém, não se aprofundou em questões relacionadas ao Conselho.

Um dos poucos pontos destacados por Hamilton Mourão foi o investimento em proteção nas áreas de fronteiras. Segundo o general, em meio a diversas demandas existentes no Brasil é necessário estabelecer prioridades. “O País vive outras carências, temos que investir em educação, saúde e estabelecer as prioridades. E, dentro daquilo que está disponível, buscar realizar mais com menos, que permitam que as forças de segurança corram a lugares onde está ocorrendo algum tipo de ilegalidade com mais rapidez“, considerou o presidente do Conselho que complementou afirmando que ações na fronteira não são um trabalho de fácil execução.

“Tivemos um crime bárbaro cometido em uma região extremamente isolada da nossa Amazônia (…) Nós temos o Exército brasileiro jogado em torno do nosso arco fronteiriço que realiza, continuamente, trabalhos para patrulhar as regiões. Temos 17 mil quilômetros de fronteiras com 10 países diferentes, não é algo simples e não mora quase ninguém de ambos os lados, favorecendo grupos que atuam na ilegalidade”, considera.

Novo ensino médio e biotecnologia

Durante coletiva com os jornalistas, o vice-presidente também comentou sobre o novo modelo de ensino médio e como o governo pode trabalhar para inserir as novas tecnologias e bioeconomia na grade curricular dos alunos de todo o País, mas, principalmente, do Amazonas.

De acordo com informações do Ministério da Educação, os currículos são compostos por uma nova organização curricular, tida como mais flexível, contemplando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), parte comum e obrigatória a todos os estudantes. O modelo “Oferta diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, os itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional”, informa o ministério.

Hoje, temos uma base nacional curricular comum e ela é abrangente porque não é específica para cada região do País. No caso do Amazonas, cabe ao Estado buscar transformar e adaptar, dentro dos currículos das suas escolas, que são de responsabilidade do governo, como essas questões da biodiversidade e tecnologia da informação vão integrar ao ensino“, ressalta Mourão.

O vice-presidente criticou, ainda, o foco, segundo ele, mais voltado para o ensino médio. De acordo com Mourão, é preciso reforça a qualidade do ensino nas séries iniciais. “Vejo que precisamos melhorar o investimento em nossa questão educacional e quando falo isso, quero dizer que tem que ser mais concentrado no início da vida escolar, para quando a criança chegar na adolescência e no ensino médio, realmente, aquele adolescente esteja capacitado. Todos que trabalham e estudam no ramo educacional sabem que o melhor momento para investir no ensino é quanto mais jovem a pessoa for, possibilitando mais avanços“, considera Hamilton Mourão.

Sobre o Conselho da Amazônia

Em fevereiro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto no qual transferiu o Conselho Nacional da Amazônia Legal, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), para ser coordenado pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

Formulado em 1995 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, o Conselho integra os nove Estados da Amazônia Legal, porém, não há representante de governo ou da sociedade civil compondo a Convenção, totalmente formada por representantes do governo federal. “Esse Conselho nunca avançou. Compete a mim, agora, fazer que isso funcione“, disse Mourão em coletiva de imprensa, logo após ser nomeado o presidente do Conselho que dentre os principais objetivos visa coordenar a implementação de políticas públicas relacionadas à Região Amazônica e manter o foco em pautas ambientais.

O evento

Realizado pela Associação do Polo Digital de Manaus (APDM), pelo Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado (Sedecti-AM) e pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), o evento ocorre até o dia 2 de julho.

O objetivo é promover maior integração entre os polos sustentáveis e digitais da Amazônia, a fim de ampliar a inserção destes segmentos no desenvolvimento socioeconômico regional, com vistas, dentre outros objetivos, a ampliar a oferta de empregos de qualidade e de retorno social, com incremento da qualidade de vida e outros benefícios diretos.

Além de Hamilton Mourão, o superintendente da Zona Franca de Manaus, general Algacir Antonio Polsin; o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Paulo Alvin; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Angelus Figueira; e o secretário municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação (Semtepi), Radyr Gomes Júnior participaram da cerimônia de abertura do evento.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)