Paula Litaiff

‘Crime bárbaro de conotações políticas’, afirma Sindicato dos Jornalistas do Amazonas em nota sobre as mortes de Bruno e Dom

Quantos mais ainda terão que morrer?" questiona o sindicato em nota

Eliziane Paiva — Da Revista Cenarium

MANAUS — Nessa quinta-feira, 16, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJPAM) publicou uma nota de pesar pelas mortes do indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips. O texto pede ainda respostas sobre o caso classificado pelo sindicato como “cruel e com conotações políticas”.

As investigações devem continuar, pois é do conhecimento da imprensa e entidades como a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) que os presos e acusados, Amarildo da Costa de Oliveira (vulgo Pelado) e seu irmão Oseney da Costa Oliveira (vulgo Dos Santos) são os executores dos assassinatos. A sociedade brasileira e, inclusive internacional, desejam que o governo brasileiro encontre e puna os mandantes desse crime bárbaro de conotações políticas“, declara um trecho da nota.

O SJP/AM ressalta a atuação do narcotráfico na região e o perigos que rondam constantemente a vida da população amazônida e, principalmente, dos povos originários. “O crime organizado, com a leniência do governo brasileiro, está transformando a região da Amazônia em terra sem lei ou da lei do mais forte, assassinando brasileiros e estrangeiros, ameaçando a vida das populações indígenas e dos caboclos amazônicos. Até quando isso? Quantos mais ainda terão que morrer?“, questionou o sindicato.

Manifestação em frente à sede da Funai, em Manaus (Jorge Bandeira)

Informar sem medo

Em entrevista à REVISTA CENARIUM, o presidente do SJPAM, Wilson Reis, atenta para as intimidações sofridas pelos profissionais, resultando perdas significativas, e pede mais proteção. “Essa situação ameaça o avanço no trabalho que pesquisadores e jornalistas realizam na Amazônia, nesse momento vamos solicitar ao Estado brasileiro, às forças policiais e órgãos responsáveis pela segurança para deixar claro a posição do sindicato quanto a necessidade de proteção da Amazônia“, afirma.

Reis pontua, inclusive, que a sociedade tem direito constitucional a informações de qualidade, “as pessoas devem ter participação direta aos seus direitos constitucionais, principalmente os jornalistas, que precisam investigar; os jornalistas trabalham com matéria de qualidade em respeito social“, ressalta.

Ainda em nota, o sindicato expressa condolências aos familiares das vítimas. E cita os povos indígenas e isolados que habitam no Vale do Javari. “Nossa solidariedade às famílias de Bruno e Dom, ratificando nossa profunda tristeza pelas vítimas desse crime bárbaroTodo apoio e respeito à luta de Marubos; Matis; Matsés; Kanamaris; Korubos; Tsohom-dyapa e povos indígenas isolados, que habitam a Terra Indígena Vale do Javari.

Leia a nota na íntegra

Diante da gravidade dos fatos, exigimos respostas. As investigações devem continuar, pois é do conhecimento da imprensa e entidades como a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) que os presos e acusados, Amarildo da Costa de Oliveira (vulgo Pelado) e seu irmão Oseney da Costa Oliveira (vulgo Dos Santos) são os executores dos assassinatos. A sociedade brasileira e, inclusive Internacional, desejam que o governo brasileiro encontre e puna os mandantes desse crime bárbaro de conotações políticas.

O crime organizado, com a leniência do governo brasileiro, está transformando a região da Amazônia em terra sem lei ou da lei do mais forte, assassinando brasileiros e estrangeiros, ameaçando a vida das populações indígenas e dos caboclos amazônicos. Até quando isso? Quantos mais ainda terão que morrer?

Por fim, nossa solidariedade às famílias de Bruno e Dom, ratificando nossa profunda tristeza pelas vítimas desse crime bárbaro. Todo apoio e respeito à luta de Marubos; Matis; Matsés; Kanamaris; Korubos; Tsohom-dyapa e povos indígenas isolados, que habitam a Terra Indígena Vale do Javari

Manaus, Amazonas, 16 de junho de 2022.

SINDICATO DO JORNALISTAS PROFISSIONAIS NO ESTADO DO AMAZONAS – SJPAM
A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)