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Covid-19 no AM: cultura do ‘quanto pior, melhor’ é para oportunistas

Paula Litaiff – Para Revista Cenarium

Manaus – A entrevista concedida pela diretora-presidente da Fundação Vigilância em Saúde (FVS-AM) Rosemary Pinto nesta sexta-feira, 24, para o alerta do provável aumento do número de mortes no Amazonas por Covid-19, infecção causada pelo Coronavírus, fez surgir na internet uma avalanche de oportunistas que, explicitamente, busca holofotes para se autopromover em ano eleitoral ou enriquecer em meio ao caos. Eles não querem resoluções, espalham o terror.

São políticos com mandatos ou não, aprendizes de políticos, empresários que buscam contratos milionários no governo do Estado e/ou na Prefeitura de Manaus e os pré-candidatos que, na falta de uma campanha pré-eleitoral normal, usam famílias fragilizadas que perderam entes queridos na pandemia para serem usadas como massa de manobra.

Com dezenas de sepultamentos ao dia, sabe-se que vítimas da doença não estão conseguindo chegar aos hospitais que já operam acima da capacidade máxima. Elas estão morrendo em casa. Mas de quem é a culpa?

Da população que não fiscalizou ações do Poder Público e de seus representantes no Parlamento nas últimas décadas; dos ex-governadores que se revezaram no poder e não se preocuparam em fortalecer o sistema de Saúde ou de quem ainda não entendeu que a pandemia é maior que qualquer melhor gestão pública do mundo. Possivelmente, as três opções.

Na Itália e nos EUA

Os representantes do governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus querem buscar apoio financeiro internacional aos G-20, grupo de 20 países mais ricos e influentes do mundo, e entre eles está a Itália e os Estados Unidos que, atualmente, estão com seus hospitais em colapso por causa da maldita doença.

De acordo com a BBC Brasil, os 5,2 mil leitos de terapia intensiva existentes na Itália foram rapidamente superados, muitos deles já estavam ocupados por pacientes com problemas respiratórios (que aumentam nos meses de inverno).

Em Nova York, nos Estados Unidos, o estado tem mais de 100 mil casos confirmados e o número de mortes atingiu 2.935, após aumento recorde em 24h – concentrando 45% do total de mortes pelo vírus no país, segundo a Revista Veja.  O governo já estuda confiscar hospitais particulares para ter acesso a mais estrutura de atendimento.

São Paulo, a mais rica

Com o maior Produto Interno Bruto (PIB) municipal do Brasil e a décima capital  mais rica do mundo, São Paulo, também, está com seus hospitais à beira de um colapso. O jornal Nacional, da Rede Globo, noticiou na quinta-feira, 23, que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de quatro hospitais públicos da cidade já atingiram a capacidade máxima. Pacientes relatam a dificuldade de conseguir atendimento.

No estado de São Paulo, a taxa média de ocupação dos leitos de UTI é de 60%. Na região metropolitana, o índice sobre para 80%. Na capital está em 73%. Mas em quatro hospitais públicos, a capacidade máxima nas UTIs chegou ao limite máximo.

Somente os neófitos acreditam em “Salvadores da Pátria”. O que se precisa, agora, é de equilíbrio em meio a toda essa tragédia para saber gerenciar os próprios recursos e buscar ajuda de quem realmente é altruísta e não usa a desgraça alheia para se locupletar.



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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais. Há 15 anos na profissão, atua no Jornalismo de Dados e em Reportagens Investigativas. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings – Bandidos na TV da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)