Paula Litaiff

Cinco estados somam alta de 145% em queimadas na Amazônia Legal

Novos brigadistas Gustavo Basso/NurPhoto
Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS (AM) – Na semana em que foi publicado o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em inglês) alertando sobre uma emergência climática no mundo, um levantamento da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) do Amazonas divulgado nessa terça-feira, 10, mostrou que, entre 1º de janeiro de 2021 a 8 de agosto de 2021, cinco Estados da Amazônia Legal somaram uma alta de 145% em queimadas, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Somente o Estado de Rondônia, segundo a pesquisa, foi responsável por 2.102 focos de queimadas no período analisado, um aumento de 51,3% em relação ao mesmo intervalo de tempo de 2020, quando foram registrados 1.389 focos. Amapá aparece logo em seguida, com um aumento de 45,5%, seguido pelo Acre (23,7%), Tocantins (17,8%) e Maranhão (7,2%). Juntos, as cinco regiões totalizam 145,5% de alta de queimadas.

Rondônia foi o Estado que mais registrou queimadas em 2021 (gráfico: Bruno Pacheco/Cenarium)

Embora apresente queda no número de queimadas entre janeiro até 8 de agosto, Mato Grosso ainda lidera o ranking de queimadas entre os Estados da Amazônia, com 7.840 focos registrados. Em relação ao mesmo período de 2020, quando o Estado teve impressionantes 11.213 casos de queimadas, a baixa foi de -30,1%.

Segundo o boletim da Sema, Tocantins aparece em segundo com o maior número de queimadas entre as regiões, com 4.626 registros, seguido do Pará (4.490) e Amazonas (3.223).

Ainda de acordo com os dados da Sema, agosto já é o mês que concentra o maior número de focos de calor no Amazonas, mesmo ainda estando no início. Ao todo, foram registrados cerca de 1.823 incêndios somente nos oito primeiros dias deste mês.

Entre 1º de janeiro de 2021 a 8 de agosto de 2021, o levantamento da Sema mostra que os municípios de Lábrea e Apuí, no extremo Sul do Amazonas e na fronteira com os Estados de Rondônia e Mato Grosso, concentraram o maior número de focos de queimadas, com 1,4 mil focos de calor somente nas duas cidades.

Conforme o boletim, Lábrea acumulou um total de 761 focos no período analisado, já Apuí registrou 736. O município de Manicoré surge na terceira posição do ranking, com 358 focos, seguido de Canutama (221), Novo Aripuanã (196), Humaitá (149) e Boca do Acre (137).

Gráfico da Sema mostra a distribuição geográfica das queimadas no Amazonas (Reprodução)

De acordo com o ambientalista mestre em Ecologia Carlos Durigan, o Sul do Amazonas incide sobre a região do “arco do desmatamento”, que é a fronteira Sul do Bioma Amazônia e que, segundo ele, historicamente tem sido fortemente impactada pela expansão desordenada do agronegócio e também de projetos de ampliação da malha rodoviária na região.

“Estudos têm mostrado que o desmatamento na Amazônia é mais intenso justamente em regiões onde a abertura de estradas sem planejamento se dá”, salienta o ambientalista.

Para o especialista, embora haja queda de focos de queimadas no Amazonas, o aumento do desmatamento em cinco dos nove Estados de toda a Amazônia Legal é preocupante. “Muito preocupante este aumento no desmatamento, pois mostra que as políticas de prevenção em combate aos mesmos não são eficientes e com isso vamos perdendo ano a ano nosso patrimônio natural, e de quebra contribuímos com o aquecimento global e suas consequências trágicas para toda a humanidade”, lamentou.

Combate

No mês passado, o Governo do Amazonas, por meio da Sema, lançou a campanha “Floresta faz a Diferença”, voltada ao combate contra o desmatamento e as queimadas ilegais no Amazonas. Na segunda-feira, 9, foram formados 30 brigadistas florestais no município de Canutama (distante 619 quilômetros de Manaus), chegando a 175 o número de novos profissionais formados neste primeiro semestre de 2021, para atuar no combate a incêndios florestais no Estado.

Segundo a Sema, a formação tem o objetivo principal de gerar apoiadores às equipes da Operação Integrada Tamoiotatá, lançada em abril deste ano, para combater o desmatamento e as queimadas ilegais no Sul do Estado. Os novos brigadistas devem atuar com foco em sete municípios do Amazonas, que concentram o maior número de ocorrências de degradação ambiental, como Lábrea (26 brigadistas), Manicoré (20 brigadistas), Novo Aripuanã (24 brigadistas), Humaitá (20 brigadistas), Apuí (17 brigadistas), Boca do Acre (38 brigadistas) e Canutama (30 brigadistas).

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)