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Prefeito de Manaus deve ser o primeiro a depor sobre colapso de Saúde na CPI da Pandemia

A comissão foi instalada nesta terça-feira, 27, pelo Senado Federal (Dhyeizo Lemos/Semcom)

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), deve ser um dos primeiros convocados para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 do Senado Federal, em Brasília, sobre o colapso na rede de saúde que deixou hospitais do Amazonas sem estoque de oxigênio no início deste ano. A comissão foi instalada nesta terça-feira, 27, com Omar Aziz (PSD-AM) presidente e Renan Calheiros (Rede-AP) relator.

O gestor, que é acusado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) de cometer os crimes de peculato e falsidade ideológica no caso dos fura-filas da vacinação contra a Covid-19 em Manaus, é o único prefeito do País que entrou no alvo da comissão, oficializada no dia 19 de abril no Congresso. Nesta terça-feira, 27, o Correio Braziliense antecipou que o nome de Almeida está na pré-lista de eventuais convocados pelo colegiado para serem ouvidos como testemunha.

O plano da CPI, segundo a CNN Brasil, prevê a divisão das investigações em quatro frentes: a vacinação e medidas de contenção do novo coronavírus; o colapso da saúde em Manaus, a primeira cidade do Brasil a passar pela segunda onda da pandemia; insumos para tratamento de pacientes e a destinação de recursos federais.

Crise e o cemitério vertical

A crise da pandemia vivenciada em Manaus em janeiro deste ano, quando dezenas de pacientes morreram por conta da falta de oxigênio nas unidades hospitalares, é apontada como um dos focos da comissão. À época, os cemitérios registravam mais de 200 mortes por dia, tendo como causa a Covid-19 e em meio à alta de internações e sepultamentos na capital amazonense, David Almeida chegou a defender a abertura de sepulturas para enterrar verticalmente as vítimas.

“Vamos fazer os chamados cemitérios verticais, que aqui em Manaus é uma novidade, nós não temos. Normalmente temos o sepultamento de forma tradicional e nós estamos aqui construindo esse cemitério, no mesmo local onde estão enterradas quase todas as vítimas da Covid-19. Nós vamos abrir 22 mil sepulturas de forma vertical”, detalhou o prefeito de Manaus em entrevista à CNN.

Conforme reportagem da REVISTA CENARIUM nesta terça-feira, David Almeida também suspendeu o plano de saúde de mais de 40 mil servidores da prefeitura de Manaus em janeiro deste ano, medida que pode ter contribuído para agravar os casos de servidores e dependentes deles infectados pelo novo coronavírus no período de janeiro a fevereiro deste ano, que não conseguiram atendimento em hospitais públicos.

A ausência do plano de saúde para os servidores piorou o atendimento nos hospitais públicos, que registraram filas para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) com mais de 400 pessoas em espera nos primeiros dois meses do ano, levando a Secretaria de Estado de Saúde (SES) a transferir pacientes para outros Estados.

Os escândalos em meio ao agravamento da pandemia fez com que David Almeida figurasse em um levantamento feito junto ao Google Notícias (uma ferramenta do sistema Google) como o pior em desempenho de imagem entre os gestores das capitais da Amazônia nos primeiros 100 dias de gestão.



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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)