EDITORIAL – A Amazônia no centro do imperialismo contemporâneo

 EDITORIAL – A Amazônia no centro do imperialismo contemporâneo

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Por Paula Litaiff

A Amazônia volta ao centro do tabuleiro geopolítico internacional não por acaso, tampouco por novidade. A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, com interesses explícitos no petróleo e em minerais estratégicos, reabre um debate antigo, recorrente e perigosamente atual: a cobiça internacional sobre uma das maiores reservas de riquezas naturais do planeta e a fragilidade da soberania dos países amazônicos diante das grandes potências.

Arthur Cezar Ferreira Reis, em sua obra clássica Amazônia e a cobiça internacional (1960), alertava que o discurso civilizatório, científico ou humanitário sempre foi utilizado como verniz para projetos de dominação econômica e territorial. Para o historiador, a região nunca foi vista apenas como floresta ou território nacional, mas como “reserva estratégica” a ser apropriada conforme os interesses externos de cada época. O que muda são os pretextos; o objetivo permanece.

Hoje, o petróleo venezuelano, as terras raras, o ouro, a bauxita e os minerais críticos necessários à transição energética e à indústria de alta tecnologia ocupam o lugar que antes foi da borracha e das “drogas do sertão”. A lógica é a mesma descrita pelo autor citado: a ideia de que a região amazônica seria incapaz de ser protegida ou administrada por seus próprios povos e Estados, o que legitimaria intervenções externas.

O episódio venezuelano é emblemático porque escancara a face contemporânea do imperialismo. Não se trata mais de colonização formal, mas de controle político, econômico e estratégico dos recursos. Nesse cenário, o Brasil ocupa posição central. Detentor de cerca de 60% do bioma amazônico, com enorme biodiversidade, reservas minerais ainda pouco exploradas e papel decisivo no equilíbrio climático global.

Como destaca a obra de 1960, a maior ameaça à Amazônia não vem apenas de fora, mas também da incapacidade interna de formular um projeto nacional que integre soberania, desenvolvimento e justiça social. O autor também apontou que a internacionalização do bioma amazônico não começa com tropas, mas com discursos.

A cobiça internacional sobre a terra dos amazônidas não é uma ameaça abstrata nem um fantasma ideológico. É um processo histórico contínuo, que se reinventa conforme as necessidades do capitalismo global. Ignorar os sinais, como advertia Reis, é repetir erros do passado. E, na Amazônia, os erros sempre custaram caro em território, em vidas e em futuro.

O assunto foi tema de capa e especial jornalístico da nova edição da REVISTA CENARIUM. Acesse aqui para ler o conteúdo completo.

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