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Se Amazonino for eleito, saiba quem vai mandar em R$ 5,6 bilhões da Prefeitura de Manaus

Por Paula Litaiff

Manaus – Como ocorreu nos seus dois últimos mandatos no Executivo – Governo do Amazonas (2017-2018) e Prefeitura de Manaus (2008-2012) –, o candidato a prefeito da capital, Amazonino Mendes (Podemos), 81 anos, deverá delegar a um grupo seleto as “chaves” dos cofres do município, caso seja eleito prefeito de Manaus no próximo domingo, 29.

O orçamento municipal está previsto em R$ 5,6 bilhões para 2021, primeiro ano do mandato do novo prefeito.  O recurso preliminar foi apresentado pela Secretaria Municipal de Finanças e Tecnologia da Informação (Semef) e compõe o Projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA).https://d7bec775b993ac91ed01a36566ad1435.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Se for para a Prefeitura de Manaus em 2021, Amazonino terá como principal representante o ex-secretário de Saúde e médico particular do ex-governador, Francisco Deodato. Além dele, figuram como os homens de confiança do candidato, o vice em sua chapa, deputado Wilker Barreto (Podemos), e o marqueteiro Marcos Martinelli. 

‘Caso Prodente’

Deodato virou manchete dos principais sites de notícias do Amazonas em 2016, ao ter seus bens particulares bloqueados pela Justiça.  A decisão partiu do juiz Leoney Figlioulo que determinou a indisponibilidade de R$ 1,6 milhão de Deodato na investigação que ficou conhecida como “Caso Prodente”.

Reprodução/A Crítica

Na ação civil por improbidade administrativa, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) apontou  irregularidades no Termo de Convênio nº 049/2001, firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) com a Fundação Prodente.

O MP-AM alega que o plano de trabalho do convênio não contemplou os serviços efetivamente realizados, não houve licitação para escolha da fundação nem contrapartida com recursos próprios economicamente mensuráveis.

Gestor reincidente

A ausência de processos de licitação para contratações é reincidente com Francisco Deodato na gestão pública. No governo suplementar de Amazonino, quando estava como secretário de Saúde, Deodato autorizou pelo menos 55 dispensas de licitações que somaram mais de R$ 27 milhões no período de 1o de janeiro a 30 de abril de 2018.

Os dados constam nos arquivos da imprensa oficial da época.  Apenas para o Instituto da Mulher Dona Lindu, na zona Centro-Sul de Manaus, a Secretaria de Saúde contratou serviços por R$ 1,544 milhão sem concorrência pública.

Nepotismo de Wilker

O Ministério Público do Amazonas abriu inquérito civil para investigar Wilker Barreto à frente da presidência da Câmara Municipal de Manaus (CMM), em 2016, pela prática de nepotismo.

Reprodução/A Crítica

Wilker contratou o próprio sogro, Raimundo Fábio Moreira da Silva, para o cargo de diretor de Engenharia da CMM pelo salário mensal de R$ 16 mil.

Sob a investigação preliminar da promotora de Justiça Neyde Regina Trindade, ficou constatado o pagamento ao sogro de Wilker como ocupante de cargo comissionado de diretor.

Além da prática de nepotismo, a promotora disse que Wilker ainda falhou administrativamente ao permitir que o sogro recebesse salário em duplicidade do município. Fábio Moreira, também, era remunerado na Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

Reprodução/MP-AM

Omissão de Wiker

Wilker Barreto era aliado de Amazonino e presidente da CMM, quando Francisco Deodato foi secretário de Saúde e realizou diversos contratos sem licitação. O vereador, também, acompanhou protestos por falta de merenda nas escolas da Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

Reprodução/Internet

Na época, Amazonino permitiu que servissem apenas suco de folhas aos alunos. A imagem foi divulgada em sites nacionais, porque no mesmo ano, 2018, a Seduc tinha recebido mais de R$ 30 milhões do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) para repassar às escolas.

Marqueteiro do ‘amor’

Após levar Amazonino Mendes de volta à vida pública na eleição suplementar de 2017, o marqueteiro Marcos Martinelli era um dos principais articuladores da Secretaria Estadual de Comunicação (Secom) até dezembro de 2018.

Foi ele o responsável pela campanha institucional do período, “Amor à Causa Pública”, que foi criticada por ser conduzida em meio a denúncias de corrupção, protestos de terceirizados da Saúde e falta de comida nas escolas.

Publicidade milionária

Com Martinelli nos bastidores da Secom, Amazonino gastou mais com publicidade do que com medicamentos para a população. Os dados estão registrados no site da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz).

Amazonino e Martinelli: parceria eleitoral e institucional (Facebook)

A pasta fez pagamentos no valor de R$ 4,66 milhões em 2018, entre janeiro e os primeiros dias de março. No mesmo período, a Central de Medicamentos da Secretaria Estadual de Saúde gastou R$ 2,79 milhões. O valor é 40% menor que os gastos com publicidade.

Hoje, Martinelli é o coordenador de propaganda na campanha de Amazonino Mendes e já recebeu pelo serviço mais de R$ 600 mil por meio de sua empresa, segundo dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

(TSE/Divulgação)



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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais. Há 15 anos na profissão, atua no Jornalismo de Dados e em Reportagens Investigativas. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings – Bandidos na TV da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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