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No AM, vice-governador sob suspeita de conspiração

Insatisfeito com a falta de poder no governo do Amazonas, o vice-governador se afastou de Wilson Lima (Secom)

Por Paula Litaiff

Deputados da base e da oposição na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE/AM), além dos servidores do alto escalão do governo do Estado suspeitam de conspiração do vice-governador Carlos Almeida (PTB) contra o governador Wilson Lima (PSC) após lhe serem negadas demandas políticas. A estratégia de Almeida é articular a tramitação do pedido de impeachment, o qual inclui o nome dele, e após finalizado o processo, derrubar a decisão do impedimento, somente, no que se refere ao cargo de vice-governador junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na noite desta quinta-feira, 16, as conversas envolvendo o nome de Carlos Almeida no meio político apontavam para a uma possível aproximação a seu principal adversário, hoje, o presidente da Assembleia Legislativa, Josué Neto (PRTB). A legislação que rege o rito processual de deposição do chefe do Executivo, a Lei 1.070/50, não alcança o vice-governador, mas o respaldo foi ignorado por Josué.

Defensor Público na área fundiária, Almeida considera-se “peça fundamental” do processo eleitoral de 2018, que elevou o colega de chapa, Wilson Lima à chefia do Executivo. Tanto que, ao assumir o governo, conseguiu ficar no comando de uma das pastas com maior arrecadação, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam). Após problemas administrativos, Carlos deixou a Susam com três meses no cargo para assumir a Casa Civil, onde ficou até maio deste ano.

Na Casa Civil, o vice-governador tentou ser um articulador do governo na Assembleia Legislativa. Não logrou êxito, com o embate sofrido junto a Josué Neto, cujos anseios se chocaram. Ambos queriam ser o candidato do governo do Estado à Prefeitura de Manaus nas eleições deste ano.

A baixa pontuação de Carlos Almeida nas pesquisas eleitorais não motivou os articuladores do governo do Estado, deixando-o insatisfeito. Sem o poder político e uma pasta específica no Executivo, só restou a Carlos ficar no lugar para onde foi eleito, a vice-governadoria que, na prática, tem pouca ou quase nada de influência na máquina administrativa.

Grupos antagônicos

Vendo-se sob o risco de ficar à margem da gestão executiva pelos próximos dois anos, Carlos Almeida buscou em grupos políticos mais antigos, conselhos para sua situação. O principal local visitado pelo vice-governador, segundo aliados do governo, é o condomínio Ephigênio Salles, na zona Centro-Sul de Manaus, onde moram políticos conhecidos, e de onde o vice-governador vê um cenário com outras perspectivas, que ignoram os acordos feitos em 2018.

A aproximação com grupos antagônicos contribuiu decisivamente para o afastamento de Carlos com Wilson Lima. Nesta semana, foi divulgado que ele havia transferido os atendimentos do gabinete da vice-governadoria para a sede do PTB, situado no bairro Dom Pedro, Zona Oeste de Manaus. A informação não foi confirmada pela assessoria do vice-governador, mas assinalada por aliados.



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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais. Há 15 anos na profissão, atua no Jornalismo de Dados e em Reportagens Investigativas. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings – Bandidos na TV da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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