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Mentiras e descaso de Pazuello contribuíram para caos na Saúde no AM, apontam ofícios

Os pedidos de socorro feitos pelo Governo não teriam sido atendidos a tempo (Leopoldo Silva/Agência Senado)
Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – A Polícia Federal (PF) revelou nessa terça-feira, 8, por meio de inquéritos confidenciais voltados a investigações de crimes possivelmente cometidos pelo ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que tanto ele quanto o comando do Exército na Amazônia foram avisados formalmente sobre a “ameaça de esgotamento” de oxigênio em Manaus.

A descoberta se deu durante investigações da PF, em averiguação aberta determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, inclusive, consta o pedido de socorro realizado cinco dias antes da crise vivida pelos amazonenses em janeiro deste ano, porém sem resposta aos apelos de socorro. Em matéria publicada pela Folha de São Paulo consta que os ofícios foram enviados e assinados pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).

Negação na CPI

Em maio, durante depoimento à CPI, o general negou ter qualquer responsabilidade direta no que diz respeito à crise do oxigênio em meio ao boom da Covid-19. Na ocasião, o senador Otto Alencar (PSD-BA) durante a Comissão Parlamentar de Inquérito alegou falta de consistências nas declarações de Alex Pazzuelo, quando ele assegurou que as autoridades locais não o alertaram com antecedência sobre o possível caos.

Ainda em depoimento, Pazuello afirmou que a falta de oxigênio durou apenas três dias, o que provocou revolta, principalmente entre os senadores e figuras políticas como Eduardo Braga (MDB-AM), que contrariou o ex- ministro afirmando que a crise instalada no Estado durou cerca de 20 dias. “Em 4 ou 5 dias já estávamos com nível de estoque restabelecidos. Tivemos três dias onde aconteceram as maiores dificuldades”, disse o ex-ministro durante a CPI.

“Teste”

Quando questionado sobre a plataforma “TrateCov”, Pazuello também desviou o foco e as datas, afirmando que o programa teria sido “hackeado” e ainda estava em fase de desenvolvimento, nem chegando a ser lançado. O aplicativo teria como intuito indicar pessoas infectadas com coronavírus, sem uma realização efetiva de testes apenas a partir dos sintomas.

Ao contrário do que disse Pazuello na CPI, a plataforma chegou a ser lançada de forma oficial em Manaus pelo próprio então ministro da Saúde e com a contribuição da idealizadora da ação, a secretária de Gestão do Trabalho da pasta, Mayra Pinheiro.

Ofícios

Nos dias 7 e 8 de janeiro, a empresa White Martins comunicou a Secretaria de Saúde do Amazonas sobre a proximidade de escassez do insumo que, por sua vez, enviou um e-mail ao então ministro da Saúde Eduardo Pazuello, assinados pelo então secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo.

No dia 9, o governador Wilson Lima mandou um ofício ao comandante militar da Amazônia, solicitando auxílio para o transporte de 36 tanques de oxigênio, em “caráter de urgência”, que também estariam disponíveis em Guarulhos às 16h de 10 de janeiro. Dois dias depois, o governo do Estado também solicitou auxílio para transporte de microusinas e geradores. Todo o transporte dos insumos foi feito de forma escalonada.



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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais. Há 15 anos na profissão, atua no Jornalismo de Dados e em Reportagens Investigativas. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings – Bandidos na TV da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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