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‘Manaus poderia estar em uma situação melhor, se não fosse Bolsonaro’, diz artesã vacinada

Andreia Santos foi vacinada neste domingo, 13, na Arena da Amazônia (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A sonhada vacinação para o público acima de 40 anos neste fim de semana, em Manaus, mobilizou voluntários e também críticas sobre a política do governo federal na atuação no combate à pandemia do novo coronavírus. Para a artesã Andreia Santos, de 43 anos, a vacina poderia ter chegado antes, se não fosse a política do presidente Bolsonaro.

“Manaus foi uma cidade muito prejudicada. Eu, pelo menos, fiquei sem trabalhar. A gente teve que se unir e fazer um grupo de amigos para ajudarmos uns aos outros, principalmente, com doação de cestas básicas, mantimentos, e até mesmo para conseguir vender os materiais feitos pelos artesãos. Se não fosse Bolsonaro, poderíamos estar bem melhor”, salientou.

Segundo o Governo do Amazonas, foram mais de 105 mil imunizados contra a Covid-19 na capital até o início da tarde deste domingo, 13.

Andreia Santos, de 43 anos, compareceu neste domingo, 13, para se vacinar na Arena da Amazônia (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

A artesã compareceu neste domingo, 13, para se vacinar na Arena da Amazônia. Ela lembra para a REVISTA CENARIUM do período difícil que vivenciou ao longo de pouco mais de um ano esperando o momento da imunização.

Andreia critica o Governo Bolsonaro que sempre foi contra as medidas de isolamento e, a todo momento, promove aglomerações, o que gera risco de disseminação da Covid-19.

“Manaus precisou vacinar sua população de forma massiva e o presidente não ajudou com isso, enquanto a pandemia avançava pela capital. E agora tem mais essa terceira onda, que está todo mundo falando. Temos medo, pois saímos de uma onda difícil e podemos entrar numa mais grave ainda. Precisamos ter consciência da imunização e não deixar de se vacinar”, finalizou.

Emoção toma conta

Josué Souza de Carvalho, de 42 anos, trabalha com serviços gerais e, desde o início da pandemia, viu a área onde atua ser afetada pela pandemia do novo coronavírus. Neste domingo, 13, ele foi se vacinar junto com a irmã Lindóia Souza de Carvalho, de 41 anos, e contou à REVISTA CENARIUM sobre esse momento especial e a sensação de alívio agora que eles estão 50% imunizados.

“Não foi fácil essa espera. Passar quase dois anos esperando essa vacina. Ficamos o tempo todo preocupados, pensando se vamos pegar [a Covid-19] ou se não vai. Perdemos muitos colegas, amigos próximos mesmo. Ficamos nessa expectativa de chegar logo essa vacina e, graças a Deus, chegou. Espero que as pessoas façam a sua parte e incentivem os outros a tomarem também”, contou Josué.

Carvalho falou ainda da importância de se imunizar e que não é preciso a população ter medo das reações adversas da vacina. “Não é preciso ter medo. Queremos é que o povo se vacine logo para que tudo volte ao normal. Tive colega de trabalho que pegou e morreu, que não teve a oportunidade que estou tendo”, reforçou.

“É uma sensação de alívio, de poder estar aqui. Algo desejado por muita gente e que ainda não pode”, destacou

Até o início desta tarde, mais de 105 mil pessoas acima de 40 anos foram vacinados em Manaus (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

‘É preciso ter fé’

Para Lindóia de Carvalho, é preciso ter esperança e fé, pois uma hora a vacina vai contemplar todas as faixas etárias. Além disso, para ela, é necessário acreditar no poder da ciência e que o imunizante pode ajudar no combate à Covid-19.

“Ainda existem muitas pessoas que não acreditam na eficácia das vacinas, que elas não ajudam. Mas não custa ter fé, pois tendo fé, nós venceremos. Para mim, se vacinar é ganhar expectativa de vida e creio em Deus que a vacina veio para nos abençoar”, comentou.

A campanha

A campanha de imunização ininterrupta começou nesse sábado, 12. São mais de 50 pontos de vacinação, sendo três que devem funcionar por 32 horas seguidas, das 9h de sábado às 17h de domingo, 13: o Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, Centro de Convenções Prof. Gilberto Mestrinho – Sambódromo de Manaus e Arena da Amazônia.

Segundo a secretária-executiva-adjunta de Assistência Especializada da Capital, Márcia Murad, os servidores que estão atuando na campanha estão recebendo todos os suportes com alimentação, ofertando água, lanche e almoço. “Montamos uma grande logística para essa campanha. Estamos também contando com o apoio de uma equipe do Exército, além da Polícia Militar (PM) e do Corpo de Bombeiros”, realçou Márcia.

O secretário de Saúde do Amazonas (SES-AM), Silvio Romano, disse à REVISTA CENARIUM que a vacinação contra Covid-19 segue ao longo de toda a semana. Quem não se vacinou neste fim de semana, pode estar se imunizando durante a semana, em todos os postos aptos à aplicação das doses.

“Até agora, no mundo todo, a ciência diz que a única forma de nós vencermos a Covid-19 é por meio da vacinação e nós temos que investir nisso. O governo do Estado e a prefeitura estão investindo nessa forma de erradicação do vírus e a gente precisa se vacinar”, frisou.

Silvio Romano disse à REVISTA CENARIUM que a vacinação segue ao longo de toda a semana (Geizyara Brandão/SES-AM)

Segundo Romano, desde quando a campanha de imunização ininterrupta foi proposta, trabalhadores da saúde e das demais áreas do governo se voluntariaram para atuar na vacinação. Mesmo aqueles que já cumpriram a hora semanal de expediente, afirma o secretário, se disponibilizaram para trabalhar neste fim de semana, em Manaus.

“Os trabalhadores se emocionaram quando sabiam que iam participar, pois era algo que eles já queriam. Nesses dois dias, a gente tem percebido que, realmente, esses três mil servidores estão extremamente emocionados e motivados, mesmo que estejam cansados. Cada dose aplicada é um motivo de alegria para aquele que está recendo e para aqueles que estão atuando desde o processo da recepção, organização dos veículos e até o momento da vacinação”, concluiu.



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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)