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Especialistas sustentam temor de Bolsonaro por reeleição e segurança da urna eletrônica

Por Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

MANAUS – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o voto impresso no País, na segunda-feira, 30. A fala de Bolsonaro ocorreu após as urnas mostrarem que partidos de direita e candidatos a prefeitos fracassaram nas eleições municipais deste ano, principalmente aqueles apoiados diretamente pelo presidente.

Nesse sentido, especialistas ouvidos pela REVISTA CENARIUM afirmam que a urna eletrônica é um equipamento seguro e que o discurso de Bolsonaro pode ser, na verdade, uma justificativa antecipada para caso seja rejeitado no pleito de 2022.

A cientista política Liege Albuquerque, membro da Associação Brasileira de Ciência Política, afirmou que Jair Bolsonaro representa o negacionismo e que a urna eletrônica significa modernidade e representa a ciência agindo para que o sistema eleitoral brasileiro seja mais célere, rápido e seguro. Outra questão levantada pela analista é de que o discurso do presidente está baseado em argumentos do seu principal aliado político, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Eu penso que a população brasileira tem que se insurgir e mostrar que é favorável à urna eletrônica, porque ele [Bolsonaro] pode fazer uma movimentação dentro do congresso para poder baixar um decreto querendo fazer eleição de papel, pode e tem poder para isso e temos poder para ir contra isso. Isso tudo acontece porque ele está vendo a queda da popularidade dele, e por isso, quer mudar e continuar segurando aqueles eleitores tradicionais e seus seguidores que apoiam isso. Então, ele não quer perder esse eleitorado que é firme nas ideias radicais do presidente Jair Bolsonaro”, explicou Liege.

Já o cientista político Helso Ribeiro explicou que o presidente Bolsonaro teme uma rejeição nas eleições de 2022 e que copia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, afirma que, durante o processo eleitoral no País americano, houve fraude, mas sem apresentar provas.

“O presidente Bolsonaro chega a ser até triste e tenta copiar Donald Trump que alegou fraudes nas eleições americanas, sem apresentar provas. Acontece que vez ou outra, quem perde a eleição, cria essa celeuma e é conversa para boi dormir”, desabafou Helso Ribeiro.

Urnas são seguras

O delegado federal Fábio Pessoa disse em entrevista à REVISTA CENARIUM que o processo eleitoral brasileiro é um dos mais seguros do mundo e reiterou que a urna eletrônica é segura e que o sistema eleitoral já foi questionado em todo o País, mas que nunca se chegou a comprovar a procedência de nenhuma informação.

“Já chegaram no Brasil de norte a sul, de leste a oeste, perguntas questionando e colocando em xeque a credibilidade do voto eletrônico. Porém, nunca se chegou a comprovar a procedência de nenhuma informação. E eu digo por que a urna é tão segura: porque o voto apesar de ser eletrônico, a urna não está vinculada à internet. Então, não há como um hacker pegar aquela urna, daquela escola, daquela sessão, naquele localzinho ali e acessar os votos, porque a urna trabalha de forma offline”, explicou o delegado.

Declarações Bolsonaro

Na declaração de segunda-feira, 30, o presidente Jair Bolsonaro afirmou aos jornalistas que iria mostrar como funcionou a apuração dos votos na eleição presidencial de 2018 e comparou o processo eleitoral brasileiro à contagem de areia.

“Vou mostrar pra vocês [jornalistas] a apuração minuto a minuto que acontecia no TSE [Tribunal Superior Eleitoral, na eleição geral de 2018]. Era alternado: em duas horas, no 1º minuto, eu ganhei, no segundo minuto, o [Fernando] Haddad ganhou, e assim intercalando. Estatisticamente, isso é impossível. Mesma coisa que eu contar as areias da praia de Copacabana agora, quantos grãos de areia têm lá (…). Não podemos continuar votando e não sabendo, não tendo a certeza daquele voto que foi dado para aquela pessoa.”

Um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também se manifestou na manhã de domingo, 29, em defesa do voto impresso. Pelas redes sociais, ele compartilhou imagem com a explicação de como seria o modelo de votação defendido pelo clã da família Bolsonaro.

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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)