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‘Vamos ter mais força para derrubar os retrocessos contra o nosso povo’, diz Joenia Wapichana sobre candidaturas indígenas ao Congresso Nacional

À esquerda, a deputada federal Joênia Waipichana e, à direita, Vanda Witoto (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

MANAUS — Ao participar da filiação e anúncio da pré-candidatura de Vanda Witoto para à Câmara Federal pelo partido Rede Sustentabilidade (Rede), neste sábado, 29, a única deputada federal indígena no Congresso Nacional Joenia Wapichana (Rede- RR) defendeu a participação de mais lideranças indígenas na política, para que os povos tradicionais tenham mais força para manter os direitos garantidos na Constituição Brasileira de 1988 e combater os retrocessos impostos pelo Governo Bolsonaro ao logo do mandato.

“Com certeza, com a força e atuação de vários parlamentares indígenas. Nós vamos ter mais força para derrubar todas as propostas e fazer com que todos aqueles retrocessos desses três anos agora desse desgoverno Bolsonaro possam cair. Inclusive, na semana que vem, eu estou trabalhando para derrubar o veto dele, que ele vetou orçamento para os povos indígenas, mas eu sou apenas uma, eu tenho que buscar força”, afirmou a parlamentar.

Mais indígenas
Joenia acredita que cada federação precisaria eleger um pré-candidato para que os projetos que fossem contrários ao dos indígenas passassem por uma bancada, antes de ir ao plenário da Casa Legislativa. O que atualmente não acontece.

“Se a gente tivesse mais representante indígena em cada Estado, eu tenho certeza que a realidade seria outra, porque nós estaríamos com mais representatividade e é isso que eu quero, representatividade indígena ali no Congresso Nacional para gente defender as nossas propostas”, defendeu Joenia.

Vanda Ortega (à esq.) e a deputada federal Joenia Wapichana (à dir.) (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Identificação
Ao falar do lançamento da pré-candidatura da Vanda Ortega à Câmara Federal, Joenia Wapichana afirmou ver nela muita semelhança com a sua história, já que ela é uma mulher indígena com bastante representatividade em Manaus.

“Para mim, é um momento de alegria ver mulheres indígenas que sentiram essa questão do compromisso, capacidade e também a possibilidade de atuar como uma representante política. Ver a Vanda, uma jovem que já tem um trabalho consolidado, um trabalho social necessário aqui no Estado, é simplesmente a realização de um pensamento que eu já comecei a falar desde o primeiro dia que eu tomei posse que é possível eleger mais mulheres ao parlamento”, destacou a deputada.

Joenia Wapichana realizando o discurso durante o lançamento da pré-candidatua de Vanda Witoto (Malu Dácio/Acritíca)

Mulheres indígenas
A única deputada indígena mulher na Câmara Federal acredita que mais mulheres indígenas precisam se encorajar para se candidatar a cargos no Legislativo e Executivo.

“Não é simplesmente um sonho, eu me elegi e eu estou aqui, uma representante indígena sem abdicar dos meus valores, dos meus princípios e principalmente não esquecer o meu povo, a minha origem e até mesmo lembrar sempre da nossa identidade. Para as mulheres, é muito mais gratificante mulheres indígenas se colocando à disposição para concorrerem a cargos eleitorais. Nós realmente vamos dar o apoio. A Rede é um partido pequeno, mas nós temos um fundo eleitoral que vai justamente ajudar as candidaturas a deputadas federais que estão aí compromissadas”, lembrou.

Furou a ‘bolha’
Ao longo desses quatro anos na Câmara Federal, Joenia Wapichana disse que “furou a bolha” para que outros indígenas se candidatassem para as eleições gerais em 2022. A parlamentar adiantou que em cinco Estados da Região Norte terão pré-candidaturas indígenas para aumentar a participação dos povos tradicionais na política.

“Eu comecei essa luta, furei a bolha que não deixava a gente entrar, agora é preciso a gente manter esse espaço de representação política ali no parlamento. Eu espero que a Vanda venha com essa representatividade e se consolide. Também nós temos pré-candidaturas lançadas em diversos Estados. Então nós temos lideranças indígenas se dispondo, colocando o seu nome para concorrer e tentar novamente a vagas em seus Estados, isso há muito tempo deveria ter se metido e estamos na luta agora para ter esses nossos espaços políticos”, finalizou.

oênia Wapichana durante pronunciamento na Câmara dos Deputados (Reprodução/Assessoria)


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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)