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Roraima ultrapassa Pará e passa a ser o Estado com mais áreas indígenas sob pressão no primeiro trimestre de 2022

Indígenas ianomâmis em Roraima, na época do massacra de Haximu (Ormuzd Alves - 28.nov.10/Folhapress)

Omar Gusmão – Da Revista Cenarium

RORAIMA — O Estado de Roraima ultrapassou o Pará e passou a ser a Unidade Federativa (UF) com mais áreas indígenas sob pressão de desmatamento e exploração por parte do garimpo ilegal no primeiro trimestre de 2022. É o que indica o estudo publicado nesta quarta-feira, 18, pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Ao que indica o levantamento do Imazon, que integra o estudo “Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas”, Roraima conseguiu o triste feito de conter em seu território cinco das dez áreas indígenas sob maior pressão entre janeiro e março de 2022.

A mudança de colocação no “ranking macabro”, entretanto, não significa que a situação no Pará melhorou. Ao contrário, indica que, enquanto a situação no Pará continua crítica, a sanha de devastação do bioma amazônico e os ataques contra os povos tradicionais estão avançando rapidamente sobre Roraima.

Prova disso é que o Pará ainda detém a primeira e a terceira posição no ranking de territórios protegidos mais ameaçados. As Terras Indígenas Cachoeira Seca do Iriri e Apyterewa são a primeira e a terceira colocadas, respectivamente, no ranking trágico das mais pressionadas entre janeiro e março.

Amazonas no ranking

Na segunda posição dos territórios protegidos que mais sofreram ameaças de derrubada da floresta no primeiro trimestre deste ano, encontra-se a Terra Indígena Waimiri Atroari, localizada entre os Estados de Roraima e Amazonas.

Outras terras indígenas localizadas no Amazonas que constam no ranking do primeiro trimestre de 2022 são a Terra Indígena Alto Rio Negro, que ficou na quarta posição, e a Terra Indígena Médio Rio Negro, na sétima posição.

Outras terras ameaçadas em Roraima

Além do segundo lugar no tétrico ranking, ocupado pela Terra Indígena Waimiri Atroari, Roraima ainda abriga quatro terras indígenas entre as dez mais ameaçadas: Manoá/Pium, Moskow, Raposa Serra do Sol e São Marcos. Nelas, vivem cinco povos diferentes: Ingarikó, Macuxi, Patamona, Taurepang e Wapichana.

Veja o ranking das dez terras indígenas mais pressionadas:

  1. TI Cachoeira Seca do Iriri (PA)
  2. TI Waimiri Atroari (AM/RR)
  3. TI Apyterewa (PA)
  4. TI Alto Rio Negro (AM)
  5. TI Karipuna (RO)
  6. TI Manoá/Pium (RR)
  7. TI Médio Rio Negro I (AM)
  8. TI Moskow (RR)
  9. TI Raposa Serra do Sol (RR)
  10. TI São Marcos (RR)


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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)