Paula Litaiff

Representatividade: concurso elege primeira Miss Indígena de Roraima

Priscilla Peixoto – Da Cenarium

MANAUS – Pertencente da etnia Wapichana, Mari Williams, de 18 anos, se tornou a primeira Miss Indígena de Roraima. O concurso foi realizado nesse sábado, 18, no Palácio da Cultura Nenê Maccagi, em Boa Vista, com intuito de escolher a primeira Miss Indígena do Estado.

Mari Williams ou “Baydukuryaba”, como é o nome de batismo da miss vencedora, é natural da cidade de Alto Alegre, moradora da comunidade “Raimundão” e encarou com garra e entusiasmo a missão de representar o município no primeiro evento da categoria. “Vocês não sabem o quanto isso é importante pra mim, tenho certeza que vocês vão se orgulhar de mim”, disse Mari nos status da rede social Instagram, logo após vencer a disputa.

Ao todo, dez candidatas participaram do evento. Além da presença Wapichana, mulheres das etnias Macuxi, Taurepang e Sapará participaram do momento de valorização e resgate da cultura dos povos, aliado à importância da visibilidade da mulher indígena na sociedade. Quebrando barreiras e promovendo a diversidade, Mari ou “Baydukuryaba” – que na língua Wapichana significa onça – foge dos padrões normalmente estabelecidos pela maioria dos concursos de beleza.

Mari Williams rompe os padrões estabelecidos pelo mercado estético (Instagram/Maariwilliams)

De estatura média e corpo com curvas de uma “mulher real”, a indígena vencedora quase desistiu do concurso por conta dos comentários maldosos sobre seu corpo e origens. Mari mostrou que não é preciso obedecer às normas do mercado da estética para ser bonita e se tornar miss. Com foco na valorização cultural, a candidata assim como as outras participantes foi analisada pela desenvoltura, respostas nas rodadas de perguntas e representação cultural do povo que representava.

Filha de mãe Macuxi e de pai Wapichana, a jovem tem como próximo passo concorrer ao Miss Brasil Indígena 2021, que deve acontecer em novembro no Estado do Paraná. “Vou tentar mostrar um pouco de quem eu sou e a minha vivência. Acompanhem minha trajetória até a disputa nacional, estou muito feliz”, disse Mari.

Protagonismo indígena

Na última semana, mulheres indígenas de diferentes etnias e regiões no Brasil têm se destacado e vêm ganhando visibilidade tanto nas mídias quanto nos veículos de comunicação. Um caso semelhante ao de Mari Williams de Roraima, é da Ive Lliyne, de 22 anos, natural do povo Fulni-ô, da cidade de Águas Belas, localizado na região agreste do Estado.

Ive se tornou a primeira mulher indígena a vencer o Miss Beleza Pernambuco. Ela deve participar de outras etapas da seletiva rumo ao Miss Beleza nacional, de onde sai o nome para o Miss Universo. Em entrevista ao Portal Alma Preta, a estudante do curso de Geografia, disse que vencer a disputa e se tornar miss é bem mais que conseguir um título de beleza.

Ive Lliyne, de 22 anos, natural do povo Fulni-ô, se tornou a primeira mulher indígena a vencer o Miss Beleza Pernambuco (Reprodução/ Instagram)

“No início eu fiquei com receio de participar, mas depois vi que poderia representar muito para a minha comunidade(…)É uma responsabilidade grande representar o meu povo e servir de exemplo para que outros de nós ocupem os lugares que quiserem”, disse a miss Pernambuco.

Outro nome que integra a lista de destaques da semana foi a digital influencer Maíra Tatuyo, de 22 anos, mais conhecida como “Cunhã-poranga”. Maíra participou do programa da Eliana, do SBT, que foi ao ar nesse domingo, 19. Durante o programa, a influencer mostrou a rotina diária da comunidade indígena Tatuyo, na margem do Rio Negro, (35 km distante de Manaus).

Influencer Maíra Tatuyo (Reprodução/ Instagram)

Maíra Tatuyo conta com mais de seis milhões de seguidores e 80,4 milhões de likes na rede social Tik Tok. Ela começou a gravar vídeos para as redes sociais em 2020, ainda no início da pandemia da Covid-19. Desde então tem viralizado na internet onde mostra a cultura e as tradições da comunidade indígena onde pertence.

Um dos vídeos mais famosos tem 16,2 milhões de visualizações, no qual ela fala do “pega-moça” – uma aliança usada pelas aldeias para a escolha de uma namorada de um jovem indígena. “Que orgulho poder estar mostrando e contando os nossos costumes, história e a nossa cultura. É só gratidão por tudo”, postou Maíra nas redes sociais.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)