Paula Litaiff

Padre Julio Lancellotti é chamado de ‘militante’ e ‘oportunista’ ao postar foto com Menino Jesus preto

Padre Julio Lancellotti segurando a estátua do Menino Jesus preto (Divulgação)
Ívina Garcia – Da Revista Cenarium

MANAUS – O padre Julio Lancellotti publicou no sábado, 24, uma foto segurando a estátua do Menino Jesus preto com a legenda “Feliz Natal, Jesus“. O pároco foi alvo de comentários negativos por usar imagem com etnia “diferente” das representações tradicionais, quando Jesus aparece branco de olhos azuis.

A atitude do padre foi interpretava por alguns internautas como “militância” e “discurso político”. Lancellotti é famoso por agir em defesa da população de rua e tem como bandeira o fim da violência e do preconceito contra essas populações.

Padre Julio Lancellotti segurando imagem de Menino Jesus preto (Reprodução)

Uai, padre, tá querendo mudar a história?“, questiona um internauta, que logo depois completa falando que o padre, com 37 anos de sacerdócio, “Precisa de mais um pouco de aula de história e teologismo“. Outro perfil respondeu à foto de Lancellotti dizendo que tem pena da alma do padre. “No céu não entrará, antes do purgatório“.

Apesar de não concordar com a cor da imagem, um perfil afirma que o padre “subiu no conceito“, por dar valor à representatividade. “Não acredito que Jesus tenha sido uma criança preta, mas também não acredito que tenha sido totalmente branca… Mas amei a representatividade! Esse padre subiu no meu conceito!“, escreveu.

Outro perfil chamou o padre de “oportunista” e pontua que independente da cor da imagem, “Lancellotti só está utilizando da raça em questão para discurso político“. A postagem ainda afirma que o padre “Vive de ibope e militância, e sua preocupação em pregar verdades bíblicas é nula“.


Após a repercussão, alguns comentários negativos foram apagados pelos autores. Outros internautas fizeram questão de sair em defesa de Julio. Uma delas escreveu que as pessoas que ofendem o Padre são monstruosas. “Monstruosas, não tem palavra melhor para descrever essa gente, ele simplesmente trata pessoas em situação de rua com dignidade e respeito“. pontua.

Reação

No começo da tarde deste domingo, 25, o padre postou a repercussão dos ataques que sofreu e categorizou como “Racismo Estrutural”. Há muito tempo a raça de Jesus Cristo vem sendo discutida nas redes sociais e nas academias.

Publicação feita por padre Júlio após ataques (Reprodução)

Conforme historiadores e o designer especializado em reconstrução facial forense Cícero Moraes, Jesus teria mais aparência de judeus que vivam no Oriente Médio no século 1, com cabelos e olhos escuros. A alteração dos traços de Jesus está ligada ao eurocentrismo, conceito que coloca os países da Europa e sua estética e cultura como centro do mundo.

No livro sagrado do cristianismo, a Bíblia, apesar de relatar a vida de Jesus, o texto não traz as características físicas de Cristo, deixando a discussão perdurar por anos.

À esquerda, representação de cristo branco e loiro; à direita imagem gerada em 3D a partir de traços judeus, forma aproximada de como Jesus aparentaria (Arte: Mateus Moura/Revista Cenarium)

Nos evangelhos ele não é descrito fisicamente. Nem se era alto ou baixo, bem-apessoado ou forte. A única coisa que se diz é sua idade aproximada, cerca de 30 anos“, comenta, a historiadora neozelandesa Joan E. Taylor, ao BBC, autora do recém-lançado livro What Did Jesus Look Like? e professora do Departamento de Teologia e Estudos Religiosos do King’s College de Londres.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


«

Comentários para este post estão fechados

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

O SITE

O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.