Paula Litaiff

Ônibus não para em ponto, e primos ficam sem fazer Enem

No Amazonas, estudantes perdem prova do Enem 2019 porque ônibus não parou no ponto (Márcio Silva / Agência O Globo)

Paula Litaiff e Bruno Pacheco – Para Jornal O Globo

Manaus — Eles acordaram às 6h, foram para o ponto de ônibus trinta minutos antes do horário usual, mas o motorista do coletivo não parou para os primos Arliane Golvin, de 21 anos, e Luciano Golvin, de 17, que tentariam pela, primeira vez, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em Manaus (AM).

Arliane e Luciano estavam acompanhados do amigo, Jobel Flanyr, de 25, que também pretendia fazer o exame. Ela foi passar o sábado na casa do primo, localizada na BR-174 (que liga Manaus a Boa Vista-RR) para rever o conteúdo do Enem e para que pudessem ir juntos fazer a prova.

Os três chegaram ao ponto de ônibus por volta das 10h, e o ônibus passou às 10h30, mas não parou para o trio, que entrou em desespero. A prova do Enem foi marcada para 13h (horário de Brasília), mas em Manaus, por conta do fuso horário, o início do exame ocorreu uma hora antes, ao meio-dia.

Sem dinheiro para um transporte particular de aplicativo, ela lamentou:

“Fizemos nossa parte em estudar e chegar ao horário na parada de ônibus, mas não era para ser. Não podemos nada, só espero que nossos pais entendam”, afirmou a estudante que tentava uma vaga em um curso da área de Saúde. “Eu queria Medicina, mas poderia ser Enfermagem também. Vou tentar no outro ano”.

Primo da estudante, Luciano disse que não vai esquecer nunca o número do ônibus que não parou para eles. Ele era o mais revoltado com a situação.

“Foi a linha 321. Como pode um motorista sabendo que hoje é prova do Enem, e que muitos jovens estão em busca de um sonho profissional para mudar de vida, tomar uma atitude dessas e não parar no ponto de ônibus? Não tinha desculpa que estava lotado, pois o ônibus estava praticamente vazio”, ressaltou o jovem.

Já o amigo da dupla de primos, Jobel tentaria o Enem pela segunda vez e disse que tinha esperança de conseguir uma vaga na área de Ciências Exatas, porque se sentia mais preparado.

“Eu tinha certeza que conseguiria o número suficiente de pontos para ser aprovado dessa vez no Enem, mas o acaso não deixou. Paciência…”, concluiu.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)