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No Pará, MPF apura violação de direitos após petrolífera instalar terminal em área próxima a reserva indígena

Terminal de Armazenamento de Combustíveis está a menos de 10 quilômetros da área indígena Praia do Índio (Arquivo/Terra de Direitos)

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Ministério Público Federal (MPF) vai apurar a violação de direitos socioambientais e étnicos, após um terminal de armazenamento de combustíveis ser instalado na margem direita do Rio Tapajós, no município de Itaituba, próximo à aldeia indígena Praia do Índio. A medida atende uma manifestação da organização Terra de Direitos, que acusa a empresa Petróleo Sabbá S.A. e o Estado do Pará, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), de cometer irregularidades na obra.

A portaria de investigação foi publicada no Diário Oficial do MPF nesta sexta-feira, 27, e assinada pelo procurador da República, Paulo de Tarso Moreira Oliveira. Em 2020, a ‘Terra de Direitos’ denunciou ao órgão ministerial que o empreendimento está sendo construído sem que indígenas impactados sejam consultados, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

Para o procurador, é necessária a conclusão de análise pericial já determinada para verificar se os estudos apresentados pela empresa estabelecem a real e exata distância/metragem entre o empreendimento e a reserva indígena, examinando também indícios de interferência, direta ou indireta, do terminal em relação ao território da praia.

Reserva indígena

A aldeia indígena Praia do Índio fica localizada a menos de dez quilômetros da construção do porto, no território do povo Munduruku, segundo a organização de direitos humanos Terra de Direitos. De acordo com a entidade, mesmo obtendo liberação de órgãos estaduais e federais para construir o terminal, não houve Estudo do Componente Indígena nos estudos apresentados para a obtenção das licenças.

No mapa, a área vermelha indica onde porto Sabbá foi construído. Em amarelo, está localizado o território Aldeia Praia do Índio, a menos de 10km (Fonte: Terra de Direitos)

Ainda segundo a Terra de Direitos, o porto Petróleo Sabbá S.A pode armazenar quase 22 mil metros cúbicos de combustíveis e ele está sendo construído próximo ao porto da empresa Rio Tapajós Logística (RTL) e da Aldeia Praia do Mangue. Para o advogado popular da organização, Pedro Martins, é possível que mais de cinco normativas socioambientais e étnicas tenham sido violadas.

“Trata-se de um pedido de investigação após as lideranças indígenas constatarem – e a própria empresa de combustíveis divulgar já ter avançado – a existência de um empreendimento na margem direita do Tapajós, próxima à foz do Rio Itapacurá”, declarou o advogado, em 2020, no site da organização.

Outro lado

REVISTA CENARIUM entrou em contato com a Semas-PA, por meio do e-mail disponível no site do órgão, solicitando uma nota sobre o caso e questionou, ainda, se a pasta concedeu licença para instalação do terminal e se houve consulta aos povos indígenas impactados. A reportagem aguarda retorno.

CENARIUM também entrou em contato com a organização Terra de Direitos, a fim de buscar atualizações sobre o caso. A reportagem, no entanto, não conseguiu contato com a empresa Petróleo Sabbá S.A.

Confira, na íntegra, a portaria do MPF-PA:



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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)