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No AM, 1º Fórum das Federações debate criação de iniciativas que beneficiem povos indígenas

Iniciativa tem como objetivo debater a criação de ferramentas que beneficiem as comunidades e os povos tradicionais amazonenses (Bruno Pacheco/Cenarium)

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS — O 1º Fórum Estadual das Federações Indígenas do Amazonas começou nesta terça-feira, 29, no Hotel Intercity, no bairro Adrianópolis, na zona Sul de Manaus. O evento, promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação Estadual do Índio (FEI), é realizado até esta quarta-feira, 30, com a participação de federações e lideranças do movimento indígena e tem como objetivo debater a criação de ferramentas que beneficiem as comunidades e os povos tradicionais amazonenses.

De acordo com o diretor-presidente da FEI, Zenilton Mura, o Amazonas tem a maior população indígena do Brasil, com 30% do território de terras indígenas, e o fórum foi construído com a ideia de fazer uma consulta sobre as principais necessidades desses povos. Segundo ele, a entidade busca fazer uma gestão compartilhada, transparente e organizada com as populações tradicionais do Estado.

“O nosso trabalho visa a construção de um planejamento pensado com as federações, ouvindo as lideranças, para que possamos ter resultados importantes voltado para as comunidades. Juntos, faremos uma gestão transparente e com resultados. Nada melhor do que você fazer um trabalho para aquela população por meio da consulta e do diálogo”, destacou Zenilton Mura.

Zenilton Mura, diretor-presidente da Federação Estadual do Índio (FEI) – (Bruno Pacheco/Cenarium)

“O nosso dever é de levar políticas públicas para as comunidades indígenas e a melhor saída para se fazer um trabalho transparente é dialogando e conversando. Aqui [no Fórum], se encontram lideranças do Juruá, Rio Negro, Purus, Baixo Amazonas, Solimões, Javali, Madeira, e de todas as regiões, e a nossa intenção é falar diretamente com esses povos”, reforçou Mura.

Para o exercício 2022, a Federação Estadual do Índio conta com um orçamento de R$ 17 milhões, sendo R$ 10 milhões de acréscimo assegurado pelo governador Wilson Lima (União Brasil) e R$ 7 milhões de dotação. O recurso é voltado para o investimento cultural e econômico das comunidades indígenas, além de ações que promovam a discussão de demandas.

Propostas

Entre as propostas a serem debatidas no encontro, segundo o diretor-presidente da FEI, está a aquisição de lanchas para as federações indígenas que integram a entidade no Amazonas. Zenilton justifica que o transporte é o maior desafio para as entidades e garantir as embarcações vai facilitar a locomoção das comunidades.

“Com essa lancha, as lideranças vão poder visitar as comunidades. Assim como quem mora em Manaus, um carro é fundamental, a mesma coisa acontece para quem viaja pelo rio e precisa de um transporte. Outra demanda a ser debatida está voltada às comunidades que necessitam de abastecimento de água. Vamos propor uma programação, dentro da realidade, de construir poços artesianos e resolver essa situação”, salientou Mura.

Evento acontece no Hotel Intercity, no bairro Adrianópolis, na zona Sul de Manaus (Bruno Pacheco/Cenarium)

Ainda de acordo com Mura, a FEI estará voltada a priorizar as demandas propostas pelas comunidades. “Queremos, de fato, ouvir a demanda deles e priorizando o máximo possível. Queremos o consenso de ambas as federações onde eles possam nos munir de informações, fazendo um debate respeitando cada povo e cada região”, frisou.

A líder indígena Glades Kokama, representante da Federação Indígena do Povo Kukamɨ-Kukamiria do Brasil, Peru e Colômbia, ressaltou à REVISTA CENARIUM que uma das pautas levantadas no evento também será voltada para a demarcação de Terras Indígenas, como a do povo Kokama, na região de Tabatinga (a 1.107 quilômetros de Manaus). Ela participa do Fórum junto a Organização Geral dos Caciques das Comunidades do Povo Kokama (OGCCIPK).

Glades Kokama, representante da Federação Indígena do Povo Kukamɨ-Kukamiria do Brasil, Peru e Colômbia (Bruno Pacheco/Cenarium)

“O Fórum será importante para saber de questões indígenas, demarcações de terras e a valorização do nosso povo que é esquecido e não é lembrado. As aldeias e comunidades, muitas vezes, não são visitadas, as necessidades e projetos não são vistos ou reconhecidos e um apoio é fundamental ao nosso povo. No Fórum, trazemos a pauta sobre a demarcação de terras do meu povo Kokama, que tem a necessidade de mais valorização”, acentuou a líder indígena.

Glades participa do Fórum junto a Organização Geral dos Caciques das Comunidades do Povo Kokama (OGCCIPK) – (Bruno Pacheco/Cenarium)


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A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)