Paula Litaiff

Lula e Bolsonaro: desmatamento da Amazônia e falta de oxigênio em Manaus são citados em primeiro debate do segundo turno

Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda) e Jair Bolsonaro (à direita).
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O primeiro debate do segundo turno entre os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) neste domingo, 16, teve uma hora de confronto direto com temas como corrupção, economia, pandemia da Covid-19 e preservação da Amazônia. A falta de oxigênio em Manaus, em 2021, também foi abordada. O debate iniciou em tom moderado, mas os ânimos entre os presidenciáveis ficaram mais exaltados ao longo das discussões.

O debate foi promovido pela Folha, UOL, TV Bandeirantes e TV Cultura. Em dois blocos, os candidatos tiveram meia hora para falar de qualquer assunto livremente, totalizando uma hora. Um dos assuntos abordados foi o desmatamento e a preservação da Amazônia.

O ex-presidente Lula relembrou de quando o Brasil era referência mundial na agenda do clima e chegou a acusar o Governo Bolsonaro de “brincar de desmatar”. “Eu não sei se o meu adversário se lembra, eu era o único presidente da história do Brasil convidado para toda reunião do G8, e para todas as reuniões do G20. E por que a gente era convidado? Porque tinha uma coisa que a gente cuidava que você não cuida, que é a questão do clima”, disse Lula.

“Foi no nosso governo o menor desmatamento da Amazônia. E o seu é maior todo ano. Vocês estão brincando de desmatar. Estão brincando de abrir cerca, derrubar árvore. Você vai ver o que vai acontecer com o comércio brasileiro”, acrescentou.

Bolsonaro pediu para que os telespectadores pesquisassem o quanto foi desmatado no Governo Lula e durante a sua gestão, alegando que a devastação foi duas vezes maior no governo do petista.

“Dá um Google em casa aí. Desmatamento 2003 a 2006. Quatro anos do Governo Lula. Depois dá um Google: desmatamento Jair Bolsonaro 2019 a 2022. No seu governo foi desmatado mais que o dobro que no meu”, se defendeu.

Investimento internacional

Ainda na temática ambiental, Lula afirmou que pretende, se eleito, implantar a agricultura de baixo carbono, para que o Brasil receba investimento internacional para preservar a Amazônia e, assim, gerar renda para o povo da região.

“Nós vamos tentar fazer a biodiversidade da Amazônia uma forma de enriquecimento daquele povo da Amazônia, de quase 30 milhões de pessoas que moram lá. E não desmatar, e não ‘desmultar’ como vocês estão fazendo”, alegou.

Em resposta, Bolsonaro alegou que Lula quer dividir a biodiversidade da Amazônia com o mundo. “Lula, tu acabou de dizer, há poucas semanas, que ia dividir a biodiversidade da Amazônia com o mundo. Você já está se curvando para o mundo. Em vez de você falar que a nossa biodiversidade é nossa, você quer dividir a nossa biodiversidade”, defendeu.

Falta de oxigênio em Manaus

Sobre a pandemia, Lula acusou Bolsonaro pela demora na compra de vacinas contra a Covid-19 e colocou na conta do presidente as mais de 600 mil mortes pela doença. O ex-presidente ainda lembrou da crise do oxigênio no Amazonas, quando faltou o insumo para infectados com o coronavírus.

“O fato concreto é que sua negligência fez com que 680 mil pessoas morressem, quando mais da metade poderia ter sido salva. A verdade é que o senhor não cuidou, debochou, riu, desenganou a vacina, disse que quem tomava vacina virava jacaré, que virava homossexual, que não podia tomar vacina. O senhor gozou das pessoas, imitou as pessoas morrendo afogada por falta de oxigênio em Manaus. Ou seja, não tem, na história de nenhum governo, alguém que brincou com a pandemia e com a morte como você brincou”, acusou.

O presidente da República chamou as alegações de Lula de “acusações levianas e mentirosas”, afirmando que o País foi um dos que mais vacinou no mundo, e em tempo mais rápido. “Se o senhor não mentir, o senhor deixa de ser Luiz Inácio Lula da Silva”, rebateu.

Bolsonaro ainda citou o tratamento precoce contra a Covid-19 e disse que “a história mostrará quem está com a razão” no assunto. “A questão do tratamento precoce, tendo ou não comprovação científica, que era algo inédito no mundo todo, tirou-se a autonomia do médico, a tal da receita off label. Isso que foi castrado no Brasil”, disse também.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


«

Comentários para este post estão fechados

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

O SITE

O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)