Paula Litaiff

Imagens mostram estrago de garimpo ilegal em Terra Indígena no Pará; veja antes e depois

Mapa da Terra Indígena Sai-Cinza (Rodrigo Bento/ The Intercept Brasil)

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Imagens feitas durante uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na primeira semana de dezembro, conseguiram identificar o avanço da mineração ilegal em áreas protegidas, principalmente na Terra Indígena (TI) Sai-Cinza, no município de Jacareacanga, (a 1.147 quilômetros de Belém) no Sudoeste do Pará.

A área desmatada do local já soma quase quatro quilômetros quadrados, o equivalente a mais de dois Parque Ibirapuera, no Estado de São Paulo. As imagens registradas foram ofertadas pela RainForest Investigations Netwok, da empresa Pulitzer Center, e compartilhadas com o site The Intercept.

As primeiras imagens divulgadas mostram o início do garimpo ilegal, em julho de 2019. A área do garimpo calculada pela Esrthrise Media teve como dados de desmatamento anual em pesquisa feita pelo Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No total, o garimpo ocupou quase três quilômetros quadrados, de agosto de 2019 a julho de 2020.

Mapa da Terra Indígena Sai-Cinza. (Rodrigo Bento/ The Intercept Brasil)

De acordo com as imagens, é possível identificar um igarapé que existe próximo ao local, conhecido como Joari, como um dos que está sendo destruído pelo garimpo, já com mais de três quilômetros quadrados, segundo estudo feito pelo Greenpeace Brasil, o qual 632 quilômetros de rios das TI Sai-Cinza e Munduruku já foram ocupados por crimes ambientais.

Segundo o porta-voz da Organização Não Governamental (ONG) Greenpeace na Amazônia ao site The Intercept, Rômulo Batista, nos garimpos desse tamanho, é difícil identificar a dinâmica de exploração. “O que percebemos é que o tamanho dessas instalações para exploração ilegal de ouro também é influenciado pela certeza da impunidade, que aumentou muito devido à política antiambiental do atual governo”.

Rios
No território Munduruku 14 quilômetros quadrados foram destruídos pela mineração ilegal, somente em 2020, segundo o porta-voz. Por meio de comunicado feito pela ONG, mais de 2.200% foram destruídos na TI, pelos menos nos últimos cinco anos. Mas ao contrário do que se imagina, a mineração em TI cresce cada vez mais, somente nas terras onde foram feitas as imagens, existem 11 requerimentos de mineração de ouro, segundo mapa Amazônia Minada.

Imagens:

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

O SITE

O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)