Paula Litaiff

Garimpeiros fazem novo ataque ao povo Yanomami e trocam tiros com policiais federais em RO

Participantes do Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana formam frase no centro da maloca (Victor Moriyama/ISA)
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – Garimpeiros, que atuam ilegalmente dentro da Terra Indígena (TI) Yanomami em Roraima, voltaram a promover novo ataque nessa terça-feira, 11. Desta vez, agentes da Polícia Federal (PF) que estavam na comunidade indígena Palimiu, às margens do rio Uraricoera, trocaram tiros com os garimpeiros, de acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Este foi o segundo ataque em menos de 48 horas e o quarto em cerca de 15 dias. Os policiais federais foram à comunidade a pedidos dos indígenas para apurar o ataque de garimpeiros ilegais contra os yanomami que ocorreu na segunda-feira, 10. Na ocasião, três garimpeiros morreram e um indígena foi ferido. De acordo com representantes dos yanomami, os ataques são uma retaliação à apreensão de combustível usados no garimpo ilegal dentro da área de conservação.

Combustível interceptado pelos yanomami dentro da Terra Indígena (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Risco de massacre

Os conflitos entre indígenas do povo Yanomami e garimpeiros já foram alvo de ações judiciais e pedidos de providências do Ministério Público Federal (MPF/RR) e da Apib. Nessa terça-feira, a Associação requereu novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a retirada de invasores da Terra Indígena (TI) Yanomami. Assim como os indígenas residentes no local, a Apib vê o sério risco de genocídio.

Veja também: Vídeo: Yanomamis temem massacre em Terra Indígena e pedem segurança após ataques de garimpeiros

A petição protocolada solicita que “a União informe quais medidas estão sendo tomadas para fiscalização da TI Yanomami” e ainda reitera “a necessidade de se determinar a retirada de invasores, com urgência, da TI Yanomami, ante a iminência de um genocídio e a escalada de disseminação de malária e Covid-19 na referida TI por garimpeiros ilegais”. A Apib afirma que se o STF não tomar providências para assegurar a vida dos indígenas da TI Yanomami se soma à negligência do Executivo diante de mais um genocídio indígena. 

O MPF/RR alerta sobre os conflitos desde 2020. No ano passado, a Justiça Federal, a pedido do órgão, determinou a adoção imediata de um plano emergencial de ações para conter o avanço da doença na Terra Indígena e o combate ao garimpo ilegal, assim como a retirada dos infratores da Terra Indígena. Em nota, o MPF informou que aguarda informações oficiais de agentes de campo para adotar as medidas cabíveis, dentro dos procedimentos já existentes sobre garimpo ilegal em terras indígenas.

Exploração desenfreada

atividade garimpeira na região se intensifica desde 2020, quando houve um aumento de 30% na degradação ambiental na região, de acordo com o relatório “Cicatrizes na floresta”, do Instituto Socioambiental em parceria com Hutukara Associação Yanomami e Wanassedume Associação Ye’kwana. 

Monitoramento aponta que as bacias de ao menos quatro rios da TI Yanomami -Mucajaí, Uraicoera, Catrimani e Parima – estão entre as mais afetadas. Os garimpeiros tomaram o Porto do Arame, localizado no rio Uraricoera, ponto estratégico na TI Yanomami, uma vez que é o meio de acesso ao território. Os garimpeiros passaram a controlar o fluxo do ponto, chegando até a cobrar pedágio dos próprios indígenas

Outro problema que chega com a invasão do garimpo no território é a disseminação de Covid-19 e surtos de malária, colocando em risco sanitário as comunidades. Houve um salto de mais de 250% de casos de Covid-19, de acordo com a Apib.

Veja o vídeo divulgado pela Apib:

A reportagem da CENARIUM entrou em contato com a Polícia Federal para saber mais detalhes da ação e das providências que serão tomadas, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

O SITE

O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)