Paula Litaiff
A líder indígena Célia Xakriabá, no Congresso (Pedro Gontijo/Senado Federal)
#Factuais

Eleições 2022: candidaturas indígenas crescem 31% comparadas ao pleito de 2018

A líder indígena Célia Xakriabá, no Congresso (Pedro Gontijo/Senado Federal)
Marcela Leiro – Da Revista Cenarium

BRASÍLIA – O número de candidaturas autodeclaradas indígenas para a eleição deste ano chegou a 175, segundo consulta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso representa um aumento de 31% se comparado ao pleito de 2018, quando 133 candidatos se autodeclararam indígenas. Em 2014, foram 85. O prazo para formalização junto ao tribunal encerrou na segunda-feira, 15.

São mais de 156 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar, que vão escolher candidatas e candidatos aos cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Atualmente, a única indígena a ocupar um cargo no legislativo federal é a roraimense Joenia Wapichana (Rede).

A deputada Joenia Wapichana (Elaine Menke/Câmara dos Deputados)

Apesar do aumento, desde 2018, o número ainda é considerado baixo, pois representa apenas 0,62% do total de candidaturas. São 28.288 candidaturas, entre pessoas que se autodeclararam brancas (13.822), pardas (10.085), pretas (3.937) e amarelas (112). O Estado com maior número de candidatos indígenas é Roraima, com 27 nomes.

A presidente da Comissão Especial de Defesa dos Direitos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), Carla Eugênia Nascimento, analisa que os indígenas têm se organizado mais politicamente, visando conquistar mais espaços de poder e decisão.

“Aparentemente, não é um número expressivo, mas desde 2018 até este momento atual o que se percebeu foi uma grande organização de toda a comunidade indígena para que, nesse momento, fossem lançados candidatos que realmente pudessem ter a possibilidade de serem eleitos à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Nessas organizações, nós podemos visualizar associações, com representações em quase toda comunidade indígena do Brasil, como também o Parlaíndio, que representa de 30 a 40% comunidades indígenas, com a possibilidade de serem eleitos e formarem uma bancada indígena forte para fazer valer frente aos seus projetos”, afirma.

A presidente da Comissão Especial de Defesa dos Direitos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), Carla Eugênia Nascimento (Divulgação/OAB DF)

Mecanismos favoráveis

O antropólogo e cientista político Raimundo Nonato afirma que para aumentar a representatividade indígena na política, é preciso criar mecanismos nos quais os indígenas não disputem votos na modalidade universal, ou seja, com todos os outros candidatos.

“Para que possamos ter um Congresso efetivamente plural, porque a sociedade é plural, é necessário pensarmos em mecanismos para que os indígenas possam ter seus representantes eleitos por eles, como acontecem em outros países como a Colômbia, Peru e Equador. Só lembrando que nesses lugares, a participação indígena, em média, chega a 30%, 40% do eleitorado. No caso brasileiro, esse número é bem menor, mas isso não inviabiliza a proposta do indígena ter um representante no Congresso, eleito de forma específica, por várias regiões, ou um por região”, defende Nonato.

Quanto ao número atual, Raimundo Nonato acredita ser uma “demanda expressiva”, e que a tendência é ocorrer, no futuro, um aumento nas candidaturas e uma melhoria nas condições de concorrência dos indígenas com candidatos de outras raças.

“Nós temos um pouco mais de 20%, isso é uma demanda expressiva que começará, no futuro, a ter mais demandas. Conforme for aumentando isso, de se reivindicar candidaturas, ou que os partidos, tal qual fazem com as mulheres e negros, comecem, em alguns lugares, a também oferecer melhores condições para que esses candidatos indígenas possam concorrer em pé de igualdade com os demais. Então, é uma questão de tempo, mas esse aumento expressivo que vem nas últimas eleições já sinaliza para, futuramente, se pensar nessas possibilidades”, conclui ele.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)