Paula Litaiff
Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (Pedro Ladeira/FolhaPress e Reprodução/Redes Sociais Lula)
#Factuais

Eleições 2022: candidatos adotam sobrenomes de ‘Bolsonaro’ e ‘Lula’ para campanha na Amazônia

Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (Pedro Ladeira/FolhaPress e Reprodução/Redes Sociais Lula)
Ívina Garcia – Da Revista Cenarium

MANAUS – Aliados de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Amazônia Legal, têm deixado de utilizar sobrenomes registrados em cartório para utilizar os dos candidatos que apoiam. A prática, mais comum entre candidatos a deputado federal e estadual neste ano, também ocorre em outros Estados do Brasil.

Dentre os nove Estados que compõem a Amazônia Legal, apenas os candidatos Lula e Bolsonaro tiveram seu nome sendo utilizado por apoiadores. Os demais presidenciáveis, ao todo dez, não possuem registros de apoiadores com o sobrenome, conforme consulta feita pela reportagem.

A utilização de apelidos chamativos ou o sobrenome diferente da Certidão de Nascimento é assegurado pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), responsável por estabelecer as regras aplicadas pela Justiça Eleitoral quando candidatos registram o nome para a urna eletrônica.

O sobrenome ‘Bolsonaro’ é utilizado em quatro Estados da Amazônia (Pará, Roraima, Tocantins e Maranhão). Os partidos dos candidatos fazem parte da base aliada do atual presidente, sendo eles do Partido Liberal, da mesma sigla do presidenciável, do Partido Social Democrático, Patriota e Progressistas.

Já o candidato Lula, possui dois apoiadores com seu nome registrado, sendo um de Rondônia e outro de Tocantins. Ambos fazem parte da sigla carregada pelo ex-presidente, o Partido dos Trabalhadores (PT).

Perfil dos candidatos

Concorrendo pela primeira vez em uma eleição, a candidata ao cargo de deputada estadual no Pará pelo PL, “Mariza Bolsonaro”, ou Mariza Almeida Souza Mendonça, 28 anos, adotou o sobrenome do presidente da República para a campanha. A candidata, nascida em Cumaru do Norte, no Pará, declarou ser branca e possuir um veículo no valor de R$35 mil.

Valdeilson da Silva, 45, candidato em Roraima a deputado federal pelo Progressistas, adotou o apelido “Deilson Bolsonaro”, desde 2018 quando concorreu pela primeira vez para deputado federal, ficando como suplente. Valdeilson chegou a concorrer para o cargo de vereador em 2020, mas também ficou como suplente. Em 2018, o candidato declarou uma casa no valor de R$50 mil; em 2020, declarou um imóvel no valor de R$90 mil. Já nas eleições de 2022, o candidato declarou não possuir bens.

Em Tocantins, o candidato Hélio Rodrigues, 53, trocou o “Carvalho” do nome por “Bolsonaro”. Candidato pelo partido Patriota, Hélio havia disputado as eleições para vereador, em 2016, utilizando apenas Rodrigues como sobrenome, à época, declarou R$191.800,00 em bens. Para 2022, Hélio afirma não ter posses.

No Maranhão, existe um “Coletivo Maranhão Bolsonar”, cujo nome está incompleto por não atender ao critério básico de 30 caracteres, pela limitação da urna eletrônica. Fazendo parte do partido PSC e registrado no nome do empresário Valter Eloi Cantanhede Junior, 48, o grupo conta com 25 membros no total. O empresário chegou a concorrer às eleições de 2020 como vereador, mas ficou como suplente. À época, declarou uma casa e um terreno, que somados custavam R$530 mil. Em 2022, o candidato também declarou dois imóveis, totalizando R$600 mil.

O candidato a deputado federal no Maranhão pelo PSD Raimundo Oliveira Soares, 60, adotou o sobrenome “Bolsonaro” para as eleições de 2022. Em 2012, o candidato, que utilizava o sobrenome “Soares” nas urnas, era candidato pelo Partido Verde e após a mudança de sigla, aumentou os bens declarados zero para R$500 mil.

“Cleidiane Bolsonaro”, ou Cleidiane das Neves Brito, 37, é candidata a deputada estadual pelo PL no Maranhão. Participando pela primeira vez de uma eleição, Cleidiane declarou não possuir nenhum bem em seu nome.

“Jair Bolsonarinho”, ou Jair Medeiro da Cunha, 67, registrado como candidato a deputado federal em Tocantins pelo Patriota, concorre pela primeira vez em uma eleição. Jair se declara “pardo” e informou ter R$320 mil em bens.

Candidato pelo PT, Valceir Gomes de Lima utiliza o apelido de “Lula do Assentamento” desde as eleições de 2016, quando concorreu para vereador. Em 2012, o candidato usou “Lula sem Terra” para o cargo de vereador. Eleito em duas, das quatro candidaturas, Valceir declarou ter R$300 mil em bens. Na primeira candidatura, em 2012, não havia declarado nenhuma posse.

“Zé Roberto Lula”, também do PT, participa das eleições desde o ano de 2010, mas só passou a adotar “Lula” no nome nas eleições de 2022. Com R$52 mil em bens declarados em 2010, Zé cresceu o patrimônio para R$1.067.609,59, em 2022. Zé participou de cinco eleições, contando com 2022, onde foi eleito em três.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)