EDITORIAL – Emergência climática: quando o silêncio é resposta na crise

 EDITORIAL – Emergência climática: quando o silêncio é resposta na crise

Eventos climáticos extremos afetam Estados da Amazônia Legal (Luiz André Nascimento/Arquivo/CENARIUM)

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O Brasil atravessa uma eleição em que a emergência climática deveria ocupar o centro das propostas de governo, especialmente na Amazônia. Não ocupa. Levantamento da REVISTA CENARIUM mostra que 26 dos 56 candidatos aos governos dos nove Estados da Amazônia Legal não tratam expressamente da crise climática ou da adaptação aos seus efeitos nos programas analisados.

É a ausência política preocupante diante de uma região que já enfrenta, no presente, aquilo que durante décadas foi tratado como previsão para o futuro. A emergência não está só no termômetro, está nos rios, nas florestas e na economia.

O Amazonas decretou situação de emergência; Manaus registrou mais de 37°C em agosto; Mato Grosso e Tocantins ultrapassaram os 40°C. Em outras regiões brasileiras, chuvas intensas e vendavais produzem o extremo oposto da mesma crise. A intensificação do super El Niño amplia a ameaça de secas, incêndios, ondas de calor e enchentes justamente no período eleitoral.

Diante dessa realidade, tratar o clima como um apêndice de programas de meio ambiente já não é suficiente. A crise climática é uma questão de saúde pública, infraestrutura, economia, segurança alimentar, transporte, educação e sobrevivência. Por outro lado, há soluções que estão na própria natureza.

Em aula magna realizada na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), o climatologista Carlos Nobre, uma das principais referências científicas brasileiras sobre a Amazônia, apresentou soluções que deveriam estar sobre a mesa de qualquer candidato que pretenda governar a região: restaurar em larga escala áreas degradadas, interromper o desmatamento, desenvolver uma economia sustentada pela biodiversidade e aproximar ciência e tecnologia das comunidades amazônicas.

Nas eleições de 2026, perguntar qual é a proposta do seu candidato para o clima deixou de ser apenas uma questão ambiental e muito menos ideológica. É perguntar como ele pretende garantir água, alimento, energia, saúde, transporte e emprego diante de eventos extremos cada vez mais frequentes. É perguntar, sobretudo, qual Amazônia e Brasil existirão ao final do próximo mandato.

O assunto foi tema de capa e especial jornalístico da nova edição digital/impressa da REVISTA CENARIUM. Acesse aqui para ler o conteúdo completo.


Capa da REVISTA CENARIUM | Agosto/2026

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