Paula Litaiff

‘É gritar, de forma poderosa, que ninguém vai nos calar, diz Nando Reis sobre turnê na Amazônia

O cantor desembarca em Manaus para um show da turnê intitulada 'Nando Hits' (Reprodução/Carol Siqueira)

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – “Sou muito preocupado com as pautas ambientais, a Amazônia é um dos principais exemplos e não é uma ideia de defesa de um rapaz que quer a Amazônia como uma vitrine, é uma questão mais complexa e séria de que a floresta tem muito mais riqueza em pé do que virando pasto e degradada pela mineração com os rios cheios de mercúrio”, a declaração, em tons de cuidado, é do cantor e compositor Nando Reis. Em entrevista para a REVISTA CENARIUM, o artista abordou pontos como a paixão pela natureza, a carreira e a volta a Manaus após um intervalo de 4 anos sem fazer shows na cidade.

Com a turnê intitulada ‘Nando Hits’, o cantor vai presentear os fãs manauaras com um show especial reunindo os principais sucessos lançados ao longo dos mais de 40 anos de carreira. O evento acontece no dia 17 de junho, no Centro de Convenções Studio 5, bairro Japiim, Zona Sul de Manaus. Além da capital amazonense, o artista também tem apresentações em outros Estados da Amazônia como Belém (PA), no dia 18, e Macapá (AP), no dia 19 de julho.

Se não me engano, a minha última ida a Manaus foi em outubro de 2018, naquele teatro maravilhoso. Era véspera de eleição, e como não lembrar daqueles dias em que mal sabíamos o horror que estava por vir. Mas, ainda assim, eu vivi dias maravilhosos, pude passear e, na verdade, a minha experiência em Manaus é sempre boa, é um lugar onde sempre que posso, aproveito. Eu amo ver o rio, sair do hotel e poder passear. É muito bom”, relembra Nando.

Nando em apresentação na turnê ‘Nando Hits’ (Reprodução/Carol Siqueira)

Nando Hits

Com a turnê, desde dezembro de 2021, o cantor traz um repertório com músicas que atravessam gerações, como a canção ‘Pra Dizer Adeus’, da época dos Titãs (parceria de Nando e Tony Belloto), ‘O Segundo Sol’, ‘Relicário’, ‘Luz dos Olhos’, músicas, inclusive, que foram sucessos na voz de Cássia Eller, uma das amizades e relações de trabalho mais conhecidas de Nando que, não poderia deixar de cantar o hit ‘All Star’, escrito para a eterna parceira e intérprete das músicas de Nando.

O setlist inclui também ‘Pra você guardei o amor’, ‘N’, ‘Por onde andei’, ‘Dois Rios’, parceria com Samuel Rosa e Lô Borges e ‘Onde Você Mora’, parceria com Marisa Monte. Além de levar ao palco as canções marcantes da carreira, Nando destaca outros detalhes que fazem do show, em Manaus, um momento especial.

“O show tem a abertura da banda Colomy, de Sebastião Reis, que é meu filho. É uma banda magnífica e recomendo a todos. Logo depois, Sebastião entra no palco para tocar comigo como convidado especial, e subir ao palco é sempre uma emoção, um desafio, pois a gente nunca sabe o que vai acontecer. É uma delícia e a parte mais gratificante da nossa profissão, e faz tempo que não vou a Manaus, a pandemia atrapalhou a vida de todo mundo, creio que este momento vai ser ótimo“.

Nando e o filho Sebastião Reis que também vem a Manaus para participar do show do cantor (Reprodução/Carol Siqueira)

Força da arte

Um cantor que vive, basicamente, das próprias composições, Nando conta que as inspirações que resultam em trabalhos de sucesso é fruto do olhar diferenciado para a vida. “Componho para poder cantar e as minhas inspirações são frutos do olhar, da sensibilidade, do estar vivo, e cada um expressa isso à sua maneira. A minha é cantando”, explica Reis.

Em épocas pouco favoráveis para o cenário artístico cultural, o artista ressalta que as apresentações vão para além do show. Na leitura do músico, cada encontro carrega uma mensagem do “fazer valer” a força da arte, da música e da cultura. “É gritar, de forma inconteste e poderosa, que ninguém vai nos calar”, destaca Nando.

“Canção para a Amazônia”

Em 2021, o cantor, em companhia de outros artistas, lançou a chamada “Canção pra Amazônia”. O trabalho com letra de Carlos Rennó e melodia assinada pelo próprio Nando Reis, é sem fins comerciais e tem como principal objetivo chamar a atenção para a destruição constante da Amazônia e alertar para a conservação de um dos principais patrimônios naturais do mundo.

O projeto, inclusive, integra uma campanha do Greenpeace, em parceria com a Relicário Produções. A canção, que chama atenção da sociedade a respeito da Amazônia e a degradação sofrida por ela, recebeu apoio de organizações como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase Amazônia), da Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Compositor e cantor Nando Reis (Reprodução/Carol Siqueira)

Musiquei a letra extraordinária do Carlos Rennó e ali há uma descrição muito precisa em versos sobre o que está acontecendo. É um grito de desespero porque é preciso apenas ser um pouco informado para ver a desgraça que aconteceu e a escalada desesperadora de destruição de queimada e derrubada de árvores e invasão das terras indígenas pelo garimpo ilegal”, conta Nando que complementa:

Quando estou com tempo livre gosto de ficar em casa com minha família e também vou para minha casa, no interior de São Paulo, lá tenho minha relação com a natureza de modo mais incisiva e não teórica, plantando e cuidando. Acho que, hoje em dia, se eu não vivesse de música, me voltaria à natureza, ao meio ambiente ou a algo ligado à conservação de espécies em extinção”, finaliza.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

O SITE

O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)