Paula Litaiff

Atos extremistas em Brasília acendem alerta para posse de Lula

Os atos extremistas em Brasília aconteceram após a diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Arte: Mateus Moura)
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – Os atos extremistas registrados após a diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília (DF), acenderam alertas para o que pode acontecer na posse, em 1º de janeiro de 2023. Há preocupação de que os manifestantes insatisfeitos com o resultado da eleição promovam mais violência.

Na noite de segunda-feira, 12, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) tentaram invadir a sede da Polícia Federal (PF), na capital federal, em protesto contra a prisão do líder indígena José Acácio Serere Xavante, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como um dos integrantes dos atos antidemocráticos em Brasília.

Após serem repelidos pela polícia, os manifestantes foram para outras vias da cidade e atearam fogo em ônibus e carros. Eles também depredaram postes de iluminação e tentaram derrubar um ônibus de um viaduto. Oito veículos foram incendiados e o Corpo de Bombeiros informou que teve uma viatura apedrejada.

Veja o vídeo:

Atos de vandalismo praticados por manifestantes extremistas foram registrados pela população e divulgado nas redes sociais (Reprodução Internet)

Nas redes sociais, internautas compartilharam o temor com a violência ocorrida em Brasília. “Tô pensando seriamente em não ir pra posse do Lula porque se só na diplomação foi esse caos, imagina no dia 01 e eu tenho medo de morrer“, disse @xxrpl, no Twitter.

A advogada Angélica Maués afirmou, no microblog, que foi alertada sobre os riscos de ir na posse. “Ontem, eu chamei um amigo para ir na posse, ele disse que seria mais seguro ver de casa. Achei exagero, mas não, olha, vocês que vão, se cuidem!“, tuitou ela.

Outro usuário da rede social também disse estar preocupado com o que os bolsonaristas podem fazer no dia 1º de janeiro do ano que vem. “Eu tô imaginando o que esses bolsonaristas vão querer fazer no dia 1º, na posse do Lula. Tô preocupado real”, complementou.

Reforço na segurança

Com o cenário de guerra em Brasília, o futuro ministro da Justiça do Governo Lula, Flávio Dino (PSB), convocou uma coletiva de imprensa e garantiu que o presidente eleito está em “absoluta segurança” e tomará posse em 1º de janeiro de 2023. Havia rumores de que Lula seria retirado do hotel em que estava hospedado em Brasília.

Dino ainda disse que o Governo Bolsonaro precisa dar respostas diante dos atos de vandalismo cometidos por bolsonaristas no Distrito Federal. “O governo federal segue omisso diante dessa situação grave absurda. Nós não temos ainda a caneta na mão, estou falando com Ibaneis [governador do DF], Andrei [Passos, futuro diretor da PF] com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, mas o governo federal precisa dar respostas”, afirmou.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), prometeu reforçar a segurança e prender quem ele chamou de “vândalos”. O chefe do Executivo informou que o Batalhão de Operações Especiais (Bope), Grupo Tático Operacional (Gtop) 5 e 6 estavam nas ruas.

Ato persistente

Conforme mostrou a REVISTA CENARIUM, manifestantes do ato antidemocrático que acontece desde 2 de novembro em frente ao Comando Militar da Amazônia (CMA), na Avenida Coronel Teixeira, zona Oeste da cidade, receberam a informação da diplomação sem qualquer reação.

Sobre os riscos de reação semelhante ao que aconteceu em Brasília, o especialista em segurança pública Hilton Ferreira afirma não ver a possibilidade de radicalização no ato antidemocrático na capital amazonense.

Eu não vislumbro essa radicalização aqui, mesmo porque há 40 dias das mobilizações e até agora não teve nenhum ocorrência, tirando aquele caso aqui de Manaus de um cara que estava bêbado e tentou atropelar os manifestantes no CMA, não tivemos nenhum ocorrência mais séria”, explica ele, pontuando ainda que não vê organização sistêmica no ato, mas nada está totalmente excluído.

Não creio nada organizado em termos organização sistêmica, com entidades, dispostas a lutar, eu não vislumbro, salvo se acontecer algo muito fora da curva, como foi o atentado do então candidato Jair Bolsonaro e a prisão do indígena lá em Brasília“, conclui.

Os atos são considerados antidemocráticos porque pedem intervenção federal para impedir um governo legitimamente constituído, conforme a Lei N° 14.197, conhecida como Lei do Estado democrático de direito.

PRF age

Em Rondônia, outro Estado da Região Norte, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) anunciou, também nessa segunda-feira, 12, que vai utilizar policiamento de choque para desobstruir pontos interditados nas rodovias do Estado por eleitores ainda inconformados com a derrota de Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. “São pessoas criminosas e não manifestantes”, afirmou a polícia. 

Pontos da BR-364 e da BR-435 voltaram a ser fechados no último domingo, 11, e os bloqueios aumentaram no dia seguinte. Pelo menos quatro locais permaneciam nessa situação em dois municípios do interior: Cacoal e Colorado do Oeste. Pela manhã, a PRF chegou a registrar oito interdições em seis cidades. 

A PRF não tolerará mais nenhum ato de vandalismo e ato criminoso de pessoas que se dizem ser manifestantes e que, na verdade, são criminosas”, disse o policial e assessor de imprensa da PRF, Antony Montenegro, em comunicado feito por vídeo.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


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Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff é diretora executiva da Revista Cenarium e Agência Amazônia, além de compor a bancada do programa de Rádio/TV “Boa Noite, Amazônia!”. Há 17 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Escreveu para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo com pautas sobre Amazônia. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

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