Paula Litaiff
Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
#Factuais

Amazônia: mês de agosto registra dia de maior foco de calor em seis anos

Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Karol Rocha – Da Revista Cenarium

MANAUS – A Amazônia registrou em um único dia o maior número de focos de calor dos últimos seis anos, em agosto. No dia 22, o bioma Amazônia registrou 3.358 focos de calor. O número superou o Dia do Fogo, em 2019, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 1.457 focos de calor na região entre os dias 10 e 11 de agosto.

A observação foi feita pela diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam Amazônia) e especialista em fogo na Amazônia, Ane Alencar, que comparou os 22 dias do mês de agosto deste ano, com o mesmo período dos anos anteriores, tendo como base o ano de 2017. A fonte dados utilizado por ela é o BDQueimadas, uma plataforma do Inpe.

Queimadas na Amazônia (Christian Braga/Greenpeace)

“Agosto e setembro são os meses que mais se tem focos de calor na Amazônia. Nenhum dia teve mais de 3 mil focos de calor desde a base de dados de 2017. Nos últimos seis anos, não teve nenhum dia que se registou mais focos de calor que dia 22, de acordo com o banco de dados do Inpe”, afirmou.

A especialista explica a diferença entre focos de calor e queimada. De acordo com ela, focos de calor é o termo mais correto e são temperaturas captadas por sensores dos satélites de monitoramento.

“Focos de calor é o termo mais correto. Ele é uma representação de uma área de 1 por 1 quilômetro e que foi detectado alguma frente de fogo com mais de 30 metros de extensão. Ele não é um indicativo de área queimada, mas é um indicativo de ocorrência de queimadas, e aí chama foco de calor porque detecta o calor daquela queimada”, explicou.

Área recém-desmatada e queimada em Porto Velho, Rondônia.

Acumulado de queimadas

Manaus amanheceu, no último sábado, 20, com uma forte camada acinzentada e, conforme ela, o fenômeno é em decorrência de focos. “Desde o dia 17, houve um acúmulo de focos de calor maior, então isso fez com que se concentrasse essa queimada e mais partículas foram liberadas de uma vez. O que Manaus sentiu foi a concentração de muitas queimadas em um período curto de tempo”.

De acordo com ela, a solução a curto prazo para diminuição de focos de calor passa pela redução do uso do fogo. “Qualquer política pública que vá reduzir o desmatamento, vai reduzir o fogo. Qualquer política pública que vá apoiar boas práticas na agropecuária, vai fazer com que as pessoas manejem melhor seu pasto sem o fogo, vai reduzir o fogo”, finalizou.

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.


«

Comentários para este post estão fechados

A AUTORA

Graduada em Jornalismo, Paula Litaiff tem especialização em Gestão de Políticas Sociais e, atualmente, é diretora executiva da Agência e Revista Cenarium. Há 16 anos, atua no Jornalismo de Dados, em Reportagens Investigativas e debate de temas sociais. Produziu matérias para veículos de comunicação nacional, como Jornal Estado de S. Paulo e Jornal O Globo. Seu trabalho jornalístico contribuiu na produção do documentário Killer Ratings da Netflix.

Paula Litaiff é Diretora de Redação em

O SITE

O Site da Paula Litaiff tem como principal finalidade a emissão de opinião sobre diversos temas sociais, políticos e econômicos, levando o leitor à reflexão sobre a importância de se tornar um agente transformador da sociedade.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso…

(in Um Sopro de Vida | CLARICE LISPECTOR)